sexta-feira, 19 de julho de 2013

ESPERANÇA SEGUNDO A BÍBLIA

por Russell Shedd

A Bíblia inspira esperança. De Gênesis até o Apocalipse corre uma corrente animador de antecipação. O catástrofe no Jardim de Éden provocou a ira de Deus contra os culpados e contra a terra que os sustentaria, mas não falta a nota cristalina de esperança. O Proto-evangelho (Gn 3:15) anuncia a boa nova de um futuro bem melhor, Deus não abandonou o pecador à sua miséria.

Noé construiu a arca porque Deus inculcou esperança no seu coração. A raça não foi aniquilada porque Deus revelou uma visão de um futuro melhor. O chamado de Abraão para deixar sua terra e parentela foi alicerçada em esperança. “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”(Gn 12:3). Quatrocentos anos de escravatura no Egito não conseguiram apagar totalmente essa chama de esperança. Deus confirmou com braço forte a Sua promessa de liberdade e independência sob o comando do soberano Senhor.

Os profetas foram enviados com mensagens de juízo e de condenação. Mas no meio de lutas, invasões, apostasia e adultério espirituais, os porta-vozes de Deus não deixaram de descrever quadros de vitória e salvação nos horizontes futuros. Isaías escreveu assim 200 anos antes do Exílio: “Consolai, consolai, o meu povo, diz o vosso Deus...a glória do Senhor se manifestará e toda a carne a verá... Eis que o Senhor Deus virá com poder e o Seu braço dominará; eis que o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa” (40:1-10). Não era para Israel cair no poço fundo da depressão e desespero, porque Deus promete voltar a mostrar os Seus cuidados amorosos especiais.

Esperança na Bíblia é assim. Em meio de terríveis aflições e sofrimentos provocados pela rebeldia e pecado do Seu povo, Deus promete uma mudança radical que alegraria o coração mais desesperado. Assim o pessimismo se anula nas promessas de bênçãos de Deus quando a disciplina terá alcançado o seu efeito desejado.

Paulo vai ainda mais longe. Declara que a fé e o amor dos colossenses existiu “por causa da esperança que vos está preservada no céus”(1:5). Em o Antigo Testamento a esperança na restauração do Povo Eleito. Em o Novo Testamento, crer na promessa de Deus da provisão da vida eterna na gloriosa presença de Deus, produz fé no Senhor Jesus e amor fraternal. “Na esperança (ou ‘pela’), fomos salvos” (Rm 8:24), sugere que a fé é gerada pela esperança nas promessas de Deus.

Sentidos Distintos da Palavra, Esperança.
Devemos notar dois sentidos neste vocábulo. Primeiro, aquele que
comunicamos quando dizemos, “Espero que este remédio me faça bem”, ou “Espero que Roberto volte para casa antes de meia-noite”. Quer dizer, temos certa confiança que possivelmente um evento há de se concretizar. Desejamos que aconteça, mas carecemos de certeza.

A esperança “viva” (1 Pe 1:3) não é a assim. Comunica a mais completa segurança, uma vez que é acompanhada pela garantia de Deus. Aguardamos a “bendita esperança” da vinda de Cristo, não com dúvidas, mas com inteira certeza. Se mantivermos firme a esperança que desde o princípio ganhamos, não deve haver dúvidas acerca da conversão genuína (Hb 3:14). A insegurança surge justamente no momento em que essa confiança for abalada. Quando diminui a certeza sobre o futuro que Escrituras denominam de “vida eterna”, apaga-se a luz da esperança.

Se já fomos justificados mediante a fé e também experimentamos a paz com Deus, entramos diretamente na porta aberta pela fé para nos firmarmos na graça. Tudo isto, Paulo assevera, nos proporciona exultar na esperança da glória vindoura (Rm 5:1,2). Significa que a segurança e paz que a graça de Deus produz por meio do perdão total e contínuo de Deus (justificação), também mantém a alegria que antecipa a manifestação futura da glória de Deus.

Nem a tribulação que Deus nos manda para produzir a perseverança e desenvolver o caráter de Cristo (“experiência”) devem abalar a esperança cristã. Pelo contrário, aqueles que, como Paulo, mais aflição passam, são os que mais esperança possuem (Rm 5:3,4). O desespero e pessimismo se afastam diante do brilho celeste do futuro prometido por Deus. Essa esperança, garante Paulo, não confunde, porque está unida ao amor que Espírito Santo derrama nos corações daqueles que põe sua confiança plenamente na fidelidade de Deus (Rm 5:5).

Conclusão
A esperança bíblica precisa de raízes bem firmes nas promessas de Deus. A graça que o Senhor despejou sobre nós pecadores, pagando o altíssimo preço da nossa culpa, é a graça que nos segura que temos plenos direitos de ocupar nosso lugar na casa do Pai (Jo 14:1).

Fonte: http://www.sheddpublicacoes.com.br/teologia/textos/esperanca.pdf

quarta-feira, 17 de julho de 2013

QUANDO O DINHEIRO SE TORNA MAMON

por Ed René Kivitz

O Novo Testamento dedica 215 versículos para abordar o tema da fé, 218 para tratar de salvação, e 2.084 a respeito de dinheiro. 
Jesus adverte que não podemos servir a Deus e a Mamon.
Mamon é dinheiro elevado à categoria de Deus [Jung Mo Sung]
Poucas coisas têm o potencial de substituir Deus como o dinheiro. O dinheiro é o maior ídolo potencial.
Quando o dinheiro é seu escravo, ele se chama dinheiro. Mas quando o dinheiro é seu senhor, ele se chama Mamon.
A escravidão ao dinheiro não é privilégio dos ricos. Há ricos para quem o dinheiro é apenas dinheiro, e pobres para quem o dinheiro é Mamon. Depende da maneira como cada pessoas, rica ou pobre, se relaciona com o dinheiro, e do papel que o dinheiro desempenha em sua vida.

Como saber quando o dinheiro virou Mamon?
Eis uma sugestão de gabarito.
#voceeescravodeMamonquando

1. perde os limites do que é justo e legítimo, e começa a acreditar que pode tudo, desrespeita posses e direitos dos outros;

2. pratica o ilícito para ganhar dinheiro;

3. perde pessoas para ficar com dinheiro em vez de perder dinheiro para ficar com pessoas;

4. precisa consumir para sentir alguma coisa significativa, acredita que os vazios da alma podem ser preenchidos apenas com coisas e experiências que o dinheiro pode comprar;

5. adota a cultura do descartável, e vive de substituições e acúmulo de coisas, experiências e até mesmo pessoas e relacionamentos;

6. deriva sua identidade de suas posses, precisa de coisas e de grifes para sentir que tem valor;

7. quando em nome da aparência e da imagem você perde sua autenticidade, anda na moda e segue tendências ditadas por terceiros, você é o que os outros dizem que você deve ser, você não sabe o que quer, o que de fato gosta, o que realmente pensa;

8. valora as pessoas por suas posses ou aparência de posses;

9. cultiva o sonho da ociosidade, o desejo de ter dinheiro suficiente para parar de trabalhar, considera o trabalho um mal necessário, trabalha apenas para ganhar dinheiro, e acha que trabalho é coisa de pobre;

10. prioriza seu bem estar acima de todos os demais compromissos da vida e em detrimento de todas as pessoas com quem convive; acredita que o dinheiro é o caminho para uma vida de prazer permanente, e que garante a possibilidade de viver sem qualquer preocupação;

11. se considera onipotente e se torna prepotente, ou, acreditando que o dinheiro tudo pode, se torna absolutamente incapaz de lidar com o fracasso e a frustração;

12. não é capaz de conviver com necessidades não satisfeitas e desejos não atendidos, acredita que o dinheiro pode resolver tudo de imediato, como se tudo estivesse à venda na esquina;

13. gasta mais do que ganha, e confunde cheque especial e crédito pré aprovado com receita;

14. tem um padrão de vida que exige sacrifícios exagerados, trabalha demais, mas não por necessidade;

15. é desorganizado, não faz contas, não controla as finanças e vive se endividando;

16. convive com a sensação de que “tudo não é o bastante”;

17. não é capaz de distinguir preço e valor;

18. é egoísta, avarento, não reparte, não empresta, não compartilha, retém tudo apenas para si;

19. não reparte seus bens com os pobres e necessitados; não tem a prática da generosidade e da solidariedade como estilo de vida;

20. não se incomoda com a realidade da desigualdade social, nem se compromete com as causas da justiça.

domingo, 30 de junho de 2013

Pés vacilantes sobre a Rocha!

por Leonardo Felipe

"... pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos." (Sl. 40:2b)

Nossa vida é uma caminhada!
Caminhamos desde quando nascemos até o fatídico momento em que morremos!
Caminhamos mesmo quando num berço ou num leito doente no fim de nossas vidas!
Caminhamos, pois a cada dia nos deparamos com coisas novas, dificuldades, obstáculos inesperados e complexos.
Caminhamos dia após dia mesmo quando somos tomados por apatia, omissão, descaso, comodismo e letargia do medo.
Caminhamos! E nesse caminhar somos vacilantes e inconstantes. 
Caminhamos! E nesse caminhar temos momentos de oscilação e desvios.
Caminhamos! Seguros de nós mesmos! Mas, muitas vezes inseguros e em duvida de nós mesmos!
Caminhamos! Convictos da direção! Porém, muitas vezes, não temos a menor idéia por onde vamos ou por onde nosso guia nós leva!
Vacilantes!
Nossa caminhada na vida é vacilante!
Só Nele (Cristo) somos firmes e seguros na Caminhada!
Só Nele, a Rocha Verdadeira (Cristo) tenho "os meus pés sobre uma rocha,"... e Ele, somente Ele: "firmou os meus passos..."


sexta-feira, 28 de junho de 2013

CRISTIANISMO ABSTRATO


por Ed René Kivitz

abstrato adj. que não se prende à representação da realidade tangível. Em outras palavras: abstarto é aquilo que não se pega, não se vê, e não tem cheiro nem gosto. 

1. Cristianismo abstrato é aquele de quem acredita nas realidades espirituais mas não interage com elas. Por exemplo, acreditar em Deus pode ser o mesmo que acreditar na existência de Barak Obama sem nunca ter apertado sua mão, ou na existência da Austrália e no Amazonas sem nunca ter visitado o país ou navegado as águas do rio. Isto é, “acreditar na existência de” é diferente de “se relacionar com”. Quem acredita na existência de Deus ,mas não se deixa afetar por Ele, não tem vantagem alguma sobre o diabo, que também acredita que Deus existe (Tiago 2.19).

2. Cristianismo abstrato é aquele basedao em ritualismo litúrgico, sem afeto: “Esse povo faz um grande show, dizendo as coisas certas, mas o coração deles não está nem aí para o que dizem. Fazem de conta que me adoram, mas é tudo encenação”, reclama Deus pela boca do profeta Isaías (29.13 – A Mensagem) – espiritualidade sem lágrimas, culto sem paixão, devoção mecânica, rituais automatizados e bailado de bonecos.

3. Cristianismo abstrato é aquele onde as convicções doutrinais têm primazia sobre a prática da generosidade. A experiência de fé dogmática arrebata o fiel para o mundo das ideias, onde não existe corpo, carne e sangue, não existem pessoas, apenas grandes cérebros sem qualquer capacidade de amar. Gasta-se muito tempo discutindo se o teísmo é aberto ou fechado, e, conclusões feitas, surgem os julgamentos e as agressões pessoais que negligenciam a generosidade, a fraternidade, e a mínima educação e o respeito que devemos uns aos outros, todos esquecidos de que “o conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica”, ou que “o coração humilde pode nos ajudar muito mais do que a mente orgulhosa” (1Coríntios 8.1 – A Mensagem).

4. Cristianismo abstrato é aquele que supervaloriza o moralismo em detrimento do engajamento social. O conceito de vida piedosa fica restrito aos pecados íntimos, notadamente relacionados com sexo, considerando os pecados estruturais e sociais, como a pobreza, a injustiça e a corrupção, coisa de menor importância. Os moralistas se escandalizam mais facilmente com homossexuais andando de mãos dadas na Avenida Paulista do que com mendigos embriagados estirados nas calçadas.

5. Cristianismo abstrato é aquele que proclama a expectativa do céu sem a consequente convocação para a responsabilidade histórica. A utopia do reino de Deus, que deveria ser inspiração para o cuidado da criação de Deus é transformado em argumento de fuga escatológica: “já que o mundo vai acabar mesmo, e vamos para o novo céu e a nova terra, que se dane o leontopithecus rosalia”.

6. Cristianismo abstrato é aquele que se relaciona com o mundo dos espíritos sem a contrapartida da participação no mundo dos homens. Meu amigo tinha uma carranca do folclore peruano em seu gabinete pastoral. Alguém entrou na sala e disse que aquilo era coisa do diabo e deveria ser destruída. O pastor perguntou, “em quem você votou na última eleição?”. Após a resposta, meu amigo concluiu, “Não adianta nada amarrar o diabo nas religiões celestiais e deixá-lo solto aqui em baixo”. Risos.

7. Cristianismo abstrato é aquele onde a religião está separada da vida. O mundo é dividido entre religioso e secular: de um lado ficam os santos redimidos pelo sangue do Cordeiro e do outro os pagãos que marcham céleres para o inferno. A igreja deixa de ser sal da terra e passa a ser “sal no saleiro”. 

8. Cristianismo abstrato é aquele que se sustenta em clichês a respeito de como a vida deve ser sem a coragem para encarar a vida como ela é. O elevado padrão ético do evangelho não pode desconsiderar a realidade concreta das pessoas e das comunidades cristãs, que convivem com pedófilos, corruptos, abusadores, gente dissimulada e mal caráter de todo tipo e práticas imorais de toda sorte. Quem proclama o evangelho não pode brincar de “tapar o sol com a peneira”.

9. Cristianismo abstrato é aquele fundamentado no “eu” sem “nós”. Tem gente que confunde pessoalidade (O Senhor é o meu pastor) com individualismo (O pão é nosso, não apenas meu). O privatismo egocêntrico prevalece sobre a comunhão solidária, e todo mundo tenta se relacionar com Deus enquanto olha apenas para o próprio umbigo. 

10. Cristianismo abstrato é aquele onde a religião é à la carte, sem sujeição à autoridade da revelação de Deus, que conhecemos como Bíblia. Quando cada um escolhe o que crer, de acordo com sua própria lógica e suposto bom senso, a mensagem cristã acaba sendo transformada num mix barato de folclore popular, filosofia em gotas, misticismo pagão e auto-ajuda espiritualista.

11. Cristianismo abstrato é aquele onde prevalecem as questões de foro íntimo sem satisfações comunitárias. Uma fé sem dimensões públicas, com ênfase exagerada em privacidade e preservação da intimidade, negligencia o fato de que “somos membros uns dos outros, e quando um membro do corpo sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele” (1Coríntios 12.26).

12. Cristianismo abstrato é aquele onde existe carisma sem caráter. Muita profecia, muito exorcismo em nome de Jesus, sem submissão à vontade de Deus. Muita lingua estranha que nem mesmo o Espírito Santo entende. No dia do juízo, muita gente cheia de carismas vai se espantar quando ouvir Jesus dizer, “Tudo o que vocês fizeram foi me usar para virar celebridades. Fora daqui” (Mateus 7.23 – A Mensagem).

13. Cristianismo abstrato é aquele tem um Deus de invocação e outros muitos de devoção. Tem muita gente que invoca o Deus é pai de nosso senhor Jesus Cristo em suas orações, mas toma decisões no dia-a-dia e organiza a vida ao redor do dinheiro, da família, de um romance, da carreira profissional ou de qualquer outra pseudo sutil divindade idolátrica. 

14. Cristianismo abstrato é aquele de quem ora “vem nós tudo, ao vosso reino nada” (ser servido versus servir). As pessoas ouviram que “Jesus Cristo é o Senhor” e acreditaram que nesse caso ele pode fazer tudo por elas, em vez de concluírem o óbvio, a saber, que elas devem fazer tudo por Jesus. 

15. Cristianismo abstrato é aquele que se contenta com “amor” a Deus sem amor ao próximo, esquecido de que “ver a face do irmão é como contemplar a face de Deus” (Gênesis 33.10), ou quem sabe, que a única maneira de contemplar a face de Deus é contemplando a face do irmão, pois para enxergar o Deus que não se vê, é preciso enxergar o irmão que está bem diante dos olhos (1João 4.20).

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Missionário



“Ser missionário não é só percorrer grandes distâncias, ir para outros continentes, mas é a difícil viagem de sair de si, ir ao encontro do outro, ir ao encontro do “diferente”, – o preferido de Jesus... Exige de mim, de você, de todos nós, uma abertura constante, pessoal e comunitária para responder aos desafios de hoje. É a missão de fidelidade ao “envio” de Jesus: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (João 20:21). 
A missão nos permite criar novos laços, novas relações, um novo jeito de olhar a vida, um novo jeito de ser igreja... SER MISSIONÁRIO É FAZER UMA DECISÃO RADICAL DE ENTREGA TOTAL AO REINO DE DEUS EM PROL DA PROMOÇÃO HUMANA.” 

Extraído do Boletim nº 35/2003, da I.P. Vila Pinheiro - Jacareí, SP