sábado, 24 de novembro de 2012

Como água no deserto.


por: Ronaldo Lidório
O deserto é possivelmente uma das mais claras representações da ausência de vida e esperança. Beduínos e Tuaregues - povos do deserto - desenvolveram milenares técnicas de sobrevivência para resistirem à angustiante mistura de sol, calor e areia. Anos atrás, atravessei a parte ocidental do Saara e, apesar de estar acostumado com as temperaturas tropicais, nada me preparou para os 54 graus à sombra durante aquelas tardes. Lembro-me que o pensamento mais obsessivo e recorrente era simplesmente água, o elemento mais desejado em terras áridas.
Davi escreveu o Salmo 63 no deserto de Judá, enquanto fugia de Saul. Encontrava-se em um dos momentos mais constrangedores de sua vida. Além de estar no deserto, tomado pelo desconforto e temores natos ao ambiente, seu povo e rei o perseguiam.
Contrariando a natural tendência do descontentamento de coração perante as caminhadas desérticas, Davi revela, ali mesmo na areia, que a sua alma tinha “sede de Deus”. Este parece ter sido o pensamento mais paradoxal que passou pela mente do salmista: a sede de Deus era maior que a sede de água. A busca pela presença de Deus era mais forte que qualquer outra carência humana.
Quando em caminhadas solitárias e perseguidos pelos que antes eram mais chegados que irmãos, devemos nos conscientizar desta verdade transformadora: precisamos mais de Deus em nossas vidas do que água no deserto. C.S. Lewis nos diz que “o amor é o princípio da existência, e seu único fim”. Com isto nos incita a pensar que o amor não é apenas o meio, mas também o propósito final. Somos convidados, em toda a caminhada cristã, a andar de forma paradoxal em expressões de amor: perder a vida para ganhá-la; oferecer a outra face a quem nos fere; esperar contra a esperança; amar, e não odiar, os inimigos; perdoar, mesmo perante óbvias razões para a amargura; desejar mais a Deus do que a água, mesmo quando se vagueia, foragido, por entre terras mais secas.
É nessa caminhada que encontramos descanso verdadeiro. Davi não apenas fala da possibilidade de descanso em Deus, mas o experimenta. Os principais verbos nos versos 6 a 8 estão no presente. Davi se lembra, pensa e canta o descanso em Deus enquanto caminha - não apenas o planeja fazê-lo amanhã. Reconhecer que a presença de Deus é melhor que a vida parece ser o exercício mais transformador – de mente, coração e visão de mundo - que qualquer pessoa possa experimentar.
Somos amados por Deus e esse fato deveria definir a forma pela qual vemos a vida e o mundo ao nosso redor. Ser amado por Deus é entender que somos convidados a um relacionamento eterno, é perceber que estamos em lugar seguro e saber que não há nada melhor.
A construção desta canção do deserto revela a alma de Davi. No verso 1, ele expressa que tinha sede de Deus. Nos versos 2 a 5, ele louva a Deus pelo Seu amor que é melhor que sua própria existência. Nos versos 6 a 8, Davi descansa no Senhor e, finalmente, nos versos 9 a 11, ele declara sua confiança na vitória sobre os inimigos.
Encontro-me rotineiramente com pessoas as quais, à semelhança de Davi, experimentam a solidão do deserto, o constrangimento da fuga e a incerteza dos que não sabem para onde vão. A vida, nesses momentos, torna-se mais lenta, opaca e pesada. Porém, justamente em ocasiões assim, a presença de Deus nos convida a crer um pouco mais e nos encoraja a continuar caminhando. Em um relance olhamos para trás e percebemos que no passado o Senhor foi fiel, mesmo no dia mais escuro. Amanhã não será diferente. A presença de Deus sempre traz à memória o que pode nos dar esperança.
Lutero, citado por Mahaney em seu livro “Glory do Glory”, diz-nos que: “esta vida, portanto, não é justiça, mas crescimento em justiça. Não é saúde, mas cura. Não é ser, mas se tornar. Não é descansar, mas exercitar. Ainda não somos o que seremos, mas estamos crescendo nesta direção. O processo ainda não está terminado, mas vai prosseguindo. Não é o final, mas é a estrada. Todas as coisas ainda não brilham em glória, mas todas as coisas vão sendo purificadas”.

Que o Senhor se mostre presente em nossas vidas. Nestes dias o deserto se tornará lugar de alegria e descanso.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Competência e Eficácia




Relação entre conhecimento e prática na missão
por: Ronaldo Lidório

Observando o universo cristão sob o ângulo da nossa missão - sermos sal da terra e luz do mundo - percebemos claramente a necessidade de equilíbrio entre competência e eficácia.

Competência é a capacidade adquirida em alguma área. Isto é, capacidade para aprender uma língua, estudar uma cultura, liderar uma equipe, evangelizar um grupo, coordenar um projeto social ou plantar uma igreja. Não é a ação em si, mas a aptidão de agir. A competência é reconhecida pelos que estão ao redor, produz segurança e transmite credibilidade.

Já a Eficácia é a capacidade transformada em ação. Enquanto a competência está enraizada na capacidade, a eficácia é demonstrada na realização. Ela está presente, especialmente, em processos mais objetivos, proativos e simplificados. Podemos pensar que “competente” é quem sabe o que está fazendo e “eficaz” é aquele que dá conta do recado.

Há também quem diga que a distância entre a competência e a eficácia é a mesma entre o engenheiro e o construtor. Precisamos de ambas, ou melhor, de um equilíbrio entre as duas forças. A competência nos direciona à aptidão para um trabalho sério, bem embasado e com conhecimento de causa. A eficácia nos leva para a reta final, para a produção, ajuda-nos na objetividade e na manutenção do foco de nosso trabalho.

Observando a caminhada da Igreja brasileira - e sua relação com a missão - causa-me temor perceber os dois extremos, igualmente danosos. Competência sem eficácia gera especialistas, mestres e doutores das áreas de conhecimento da missão, porém sem iniciativas aplicadas aos que sofrem, desconhecem o Evangelho ou necessitam de pastoreio. Eficácia sem competência gera ações pragmáticas, desmedidas e, mesmo, antibíblicas, que mais espalham do que juntam.

Destino estas próximas linhas àqueles que se encontram na segunda categoria - competência sem eficácia -, por entender que é um perigo mais iminente em nossos círculos. Enquanto valorizamos de forma exclusivista o conhecimento e as respostas em detrimento das relações e iniciativas, corremos o risco de nos perder nas questões “de meio”. O perigo é chegarmos ao final de uma temporada com muito conhecimento, mas pouca aplicação. Muita compreensão, mas pouca produção. Com mais competência que eficácia.

É rotineiro observar que assuntos de menor importância (ou pouco associados ao nosso alvo maior) ganhem o centro do palco de nosso dia a dia, o que pode nos levar à frustração de vida e ministério em algum ponto.

Devemos sempre relembrar a pergunta chave: qual o presente objetivo de minha vida e ministério? A resposta deve nos conduzir de volta ao essencial. Paulo entendia que a finalidade da igreja era a glória de Deus e a sua prioridade era proclamar Cristo onde não havia sido anunciado. Estes são os grandes alvos. Ao longo da estrada estes alvos maiores se traduzem em objetivos temporários como o testemunho na família, o discipulado de um irmão, a colaboração no orfanato, a ajuda ao que está caído ao longo do caminho ou a busca por uma vida mais santa.

Neste caso é importante que nos perguntemos se as práticas associadas a estes objetivos estão no centro do palco da nossa vida. E para saber localizar o assunto no palco você pode seguir esta pista: o que consome o seu tempo, energia e dinheiro é o que está no centro do palco.

Gosto de observar missionários. Ouvi-los contando suas histórias e ver como agem nos campos. Há algum tempo, tivemos a oportunidade de trabalhar com aproximadamente 30 missionários que atuam em áreas desafiadoras do norte da Índia. Não tenho dúvida: os que conseguem equilibrar a competência e eficácia completam a carreira olhando com mais alegria para trás. Esses aproveitam a oportunidade para conhecer as estratégias, técnicas, política, língua, cultura e vida em equipe, mas ao mesmo tempo não se deixam amarrar com as questões “de meio”. Correm para a realização dos objetivos prioritários. Os que não equilibram tendem a se frustrar, seja por conhecimento sem prática ou prática sem conhecimento.

É preciso simplificar nossos pensamentos e dias para caminharmos bem, tendo em mente, de forma clara, qual o presente objetivo do Senhor para cada um de nós, na estrada que trilhamos. Pensemos em uma pequena equipe que chegou a Nova Deli para trabalhar com crianças dalit. Se pela manhã estudam a estratégia para o trabalho com as crianças abandonadas, preparam o material e conduzem o treinamento necessário, e pela tarde e noite estão nas ruas conversando com essas crianças e conduzindo-as a um abrigo - e a Jesus -, está clara e abençoada conciliação entre competência e eficácia. É simples assim.

Que o Senhor nos ajude a equilibrar sempre a balança em nossas vidas e nos livre de correr atrás do vento. Coloquemos no centro do palco aquilo que, para o Senhor, é mais valioso.

fonte: http://www.ronaldo.lidorio.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=156&Itemid=26

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

TIREM A MOEDA DO PEIXE E NÃO DA IGREJA E NEM DAS PESSOAS



Por Labieno Palmeira
“Tendo eles chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam o imposto das duas dracmas e perguntaram: não paga o vosso mestre as duas dracmas? Sim, respondeu ele. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Simão que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos? Respondendo Pedro: Dos estranhos, Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos. Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti. Mt 17:24-27.

Tenho meditado nesta passagem ultimamente, e, confesso, me surpreendi com o fato de que este texto está carregado de lições oportunas para o momento missionário que vivemos nos dias atuais.
Jesus e Pedro ao entrarem em Cafarnaum são cobrados a pagarem uma taxa de um imposto local, um imposto regional. Este imposto era para ser pago pelos estrangeiros, pessoas não pertencentes àquela cidade.
O interessante é que foi exatamente Pedro quem foi abordado pelos cobradores. Pedro respondeu positivamente aos cobradores dizendo que Jesus era responsável e iria sim arcar com as exigências da lei.
Só que antes mesmo de Pedro conversar com Jesus sobre este assunto, o próprio Cristo, surpreende a Pedro fazendo a este um questionamento. Jesus argui Pedro, indagando-o: “ os reis das nações cobram impostos dos filhos do reino ou dos estrangeiros?”. A resposta do discípulo foi: “ dos estrangeiros!”. A fala de Jesus então foi: “ chegará o dia em que eles (o povo eleito) não precisarão pagar tais impostos e nem qualquer outra taxa ou divida, eles ainda eram estrangeiros não só em Cafarnaum como também no reino deste mundo”.
Nesta caminhada sobre a terra é necessário pagar impostos e taxas para se caminhar, entrar e sair de cidades, trabalhar e servir pessoas. É preciso pagar para servir! É preciso pagar para abençoar! É preciso pagar para andar sobre a terra dos viventes! É preciso pagar para missionar! É preciso pagar para ser regente sobre a terra e dominar sobre as áreas de domínios que Deus entregou aos regentes do reino aqui na terra.
Nesta história factual do evangelho, Cristo não orientou Pedro a ir até o templo pedir o valor necessário para se pagar o imposto. Embora Jesus tinha um grupo de mulheres que o ajudava com seus bens, e, embora Judas Escariotes fosse o tesoureiro do quadro apostólico que andava com Jesus, nesta hora, Jesus não se utilizou de nenhum destes possíveis recursos para se levantar o valor necessário para suprir aquela necessidade.
O filho de Deus mandou o pescador Pedro PESCAR, dizendo a Pedro que o imposto seria pago com o primeiro peixe que fosse fisgado. Um pescador, um peixe fisgado, um problema resolvido! Devido a isso, jesus pôde entrar na cidade de Cafarnaum e o Evangelho teve continuidade.
Que benção! Este texto nos ensina a: (1) esperarmos o livramento e a solução por meio das pessoas certas, (2) utilizarmos os instrumentos apropriados, mesmo que sejam estes os mais absurdos possíveis (3) buscarmos estratégias adequadas, (4) o pagamento beneficia a pluralidade.

(1) esperarmos o livramento e a solução por meio das pessoas certas: Jesus se utilizou de Pedro, pescador, bom em fisgar peixe. É preciso entender que no reino de Deus sempre estamos interagindo com pessoas ao nosso derredor que possuem atribuições e qualificações que podem muito bem serem as ferramentas necessárias para o livramento de problemas que enfrentamos. Precisamos conhecer quem anda com a gente e respeitar suas qualificações. Pedro fez o que sabia fazer! Pedro pescou, apenas isso! Só que ele pescou porque Jesus o mandou pescar! Ele não pescou porque quis pescar, desta vez ele foi pescar porque Jesus quis que ele fizesse isso. Pedro não foi pescar muitos peixes, mas apenas um peixe. Talvez nós daríamos a Pedro uma ordem para se pegar muitos peixes afim de vende-los para que se reunisse as dracmas necessárias para a quitação do imposto. A igreja de hoje acha muito mais “correto” teologicamente lidar com muitos peixes para “negociar” a sua divida para com a cidade e a sociedade do que depender da fé e arriscar tudo para fisgar um peixe apenas e resolver tudo com este único peixe. As soluções dos problemas começam com gente. Achar a pessoa certa já é uma grande garantia de que o problema poderá ser resolvido. A tendência humana é querer focar na moeda dentro do peixe. Mas o primeiro foco deve ser colocado no pescador que fisga bem o peixe. O peixe poderia muito bem ter engolido a moeda que deve ter caído de algum barco, ou de algum navio que naufragou. Não se pode saber como a moeda foi parar no ventre do peixe, podendo ser até um milagre sobrenatural, onde Cristo fez pela sua palavra surgir do nada aquela moeda nas entranhas do peixe. Foque na pessoa certa e não no peixe! A pessoa certa ouve a “palavra” certa, pois Pedro creu na Palavra certa recebida de Jesus o seu Mestre. Pessoas que andam ao nosso lado que creem na Palavra certa recebida de Jesus, são pessoas que merecem o nosso foco. Há pessoas andando conosco que creem na Palavra do Senhor e são estas pessoas que precisam receber nosso foco e atenção. Pessoas certas com a PALAVRA certa fazem o que é certo! OBEDECEM por fé! A igreja precisa focar estas pessoas e investirem nelas para solucionarem os problemas comunitários e societários. Antes de se ter UM PEIXE foi necessário se ter UM PEDRO!
(2) utilizarmos os instrumentos apropriados, mesmo que sejam estes os mais absurdos possíveis:
Pagar imposto é algo normal e cotidiano! Viver se responsabilizando com o intuito de sempre se ter o recurso certo, na quantidade certa para no dia certo efetuar o pagamento do imposto, é algo com que todos procuram se ocupar em suas vidas. Cafarnaum fica próximo ao mar da galileia, portanto, uma cidade com vida pesqueira. Jesus se utiliza disso! Jesus aproveita o contexto da cidade, aproveita o potencial das pessoas que andam com ele. Que maravilha! Grandes lições missiológicas! Jesus, como sendo o segundo Adão, foi regente ao lidar com a questão do tributo. O regente reina e domina sobre tudo aquilo que Deus criou afim de fazer com que tudo aquilo que foi criado produza glória a Deus. O peixe vendido produz dinheiro, esta é a lógica do senso comum. Jesus faz o peixe trazer o dinheiro! Ele muda a ordem normal do processo. No reino de Deus precisamos estar preparados para sairmos da ordem normal dos processos que podem trazer soluções aos problemas. É preciso aproveitar as pessoas certas, se utilizar dos contextos das cidades, mas, ao mesmo tempo, se faz necessário estar aberto às possibilidades de agir com poder e domínio no processo que foge ao controle do senso comum. A igreja precisa equilibrar a logica com a não lógica. Os regentes do reino de Deus aqui na terra precisam equalizar a razão com a fé no sobrenatural. Lembrando que na dimensão do reino de Deus não existe normal e anormal, racional e irracional, natural e sobrenatural, espiritual e material, temporal e atemporal. Este é o principal desafio para os regentes, o de enxergar o reino sem limites, sem fronteiras, sem vida cíclica (repetitiva) e sem vida linear (passado, presente e futuro). Jesus ensina a Pedro e a nós que na hora de se pagar um imposto, podemos buscar recursos respeitando alguns princípios (mencionados no ponto numero 1 deste artigo), mas precisamos nos abrir para a possibilidade de mover a natureza para participar do processo. Afinal, o regente desde o inicio (Genesis 1,2 e 3), recebeu a credencial para dominar todos os reinos (por exemplo: reino vegetal, reino animal, reino material, reino espiritual).
(3) buscarmos estratégias adequadas:
Parece que hoje em dia é como na época de Jesus, continua sendo muito mais fácil esperar os recursos e as moedas oriundos dos peixes do que das igrejas ou das pessoas. Quem precisa de duas dracmas para pagar o imposto precisa crer que será mais fácil esperar a saída vinda dos peixes do que dos religiosos e da própria religião. Aliás, os comentaristas bíblicos sugerem que o imposto cobrado em Cafarnaum era o mesmo imposto para o templo (imposto religioso) mencionado em Êxodo 30:13 (siclo do Santuário). Os religiosos cobravam impostos, pois além do dizimo regular, as pessoas precisavam pagar impostos extras, como este cobrado em Cafarnaum. Seria completamente impossível esperar que o dinheiro para pagar o imposto viesse do templo pois era o próprio templo que cobrava tal imposto. Hoje não é diferente! Os templos pagam seus impostos (agua, luz, telefone, etc). Para isso, recebem dos membros das igrejas os dízimos, ofertas, donativos, campanhas, conferencias, shows, etc. A questão aqui não é essa. Jesus peregrinava com seus discípulos pregando o evangelho do reino e ensinando nas sinagogas e em diferentes lugares. Jesus (como segundo Adão estava regendo nas missões que ele recebera do Pai, para dominar e sujeitar tudo o que Deus criou), ele e seus discípulos estavam cumprindo as missões. E como missionários (Jesus e os seus discípulos), precisavam de recursos para expandirem o reino de Deus. E, como filhos do reino, como agentes do reino, não deveriam pagar impostos, pois os impostos só deveriam ser cobrados dos estrangeiros, daqueles que não eram do reino, (isto ficou claro no texto de Mateus no titulo deste artigo), mas Jesus, decidiu pagar o imposto para não causar escândalo aos líderes religiosos. Jesus decidiu exceder no dar e no prestar contas para não escandalizar! Cumprir as missões no reino é mais importante do que pagar ou não pagar impostos! Se é necessário pagar para não escandalizar os que cobram, então que se pague! Afinal o que se ganha com a pregação do evangelho do reino é muito maior do que com aquilo que se paga de imposto religioso. Em outras palavras: se para fazer missões é necessário se submeter aos altos custos que as igrejas exigem daqueles que pregam o evangelho do reino, então, que se submetam aqueles que fazem missões, que se submetam às exigências dos religiosos que cobram destes que são os regentes missionários.
(4) o pagamento beneficia a pluralidade:
Jesus disse: entrega por mim e por ti.
Benção!
Regente não subjuga gente, não explora o próximo.
Regente no reino de Deus busca pra si e para o semelhante. Compartilha o que ganha com o próximo. Regente não retém o que recebe, ao contrário, ele é pródigo no dar e no abençoar. Jesus mostrou o tempo todo nos evangelhos que um peixe ou poucos peixes e poucos pães são suficientes para alimentar multidões. Agora ele, Jesus, novamente repete o ensino dizendo que um peixe com um estáter dentro dele é suficiente para Ele e para o irmão. A cristandade da nossa geração está acostumada com grandes recursos e grandes quantidades de pessoas, em grandes ajuntamentos para justificar um grande Deus e uma grande obra. Incrivelmente existem pessoas e igrejas com muitos recursos financeiros e humanos fazendo muito pouco pela causa social e pelo trabalho missionário integral, isto em proporção a algumas pessoas e igrejas que não possuem tantos recursos humanos ou financeiros mas que, a bem da verdade, estão fazendo muito mais, e com um trabalho muito mais profundo e relevante. Poucas pessoas ou igrejas com pouco recurso fazem muito mais no reino e para o reino! No reino de Deus o importante não é a quantidade dos recursos, o que verdadeiramente importa é a motivação, o foco (que deve sempre ser a glória, como o apóstolo Paulo diz: quer comais, bebais ou façais qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus). Quando pagamos nossos impostos deveríamos pensar no próximo também. Se você tem suas dracmas para pagar seus impostos deveria se importar com o irmão que não tem para pagar o imposto dele também. Ainda mais quando este irmão está contigo no mesmo ministério e na mesma causa. Pedro estava com Jesus, largou tudo para andar com Jesus. Portanto, Jesus busca o recurso suficiente para suprir as suas necessidades como também as de Pedro.
Tem cristãos com recursos suficientes para pagar os seus impostos e até para pagar os impostos de outros irmãos que estão na mesma causa em que eles estão, mas não movem nada para que os outros tenham alivio. Tem cristãos pagando somente os seus impostos! E louvam a Deus porque foram agraciados com os recursos para pagarem os seus impostos e ainda sobraram recursos. Esquecendo eles que ao lado deles, bem próximos deles, existem irmãos e famílias inteiras sofrendo com a falta de recursos para entrarem em suas Cafarnauns, para continuarem as missões que receberam de Deus como regentes no Seu reino.
Jesus nos ensina que quando fazemos as missões no reino de Deus, precisamos ser ousados na fé e na busca de recursos, e isso, para nós e para o próximo que caminha conosco na mesma missão. Quem caminha junto na missão socorre um ao outro sempre! Missionário investe em missionário! Regentes missionários socorrem Regentes missionários!

CONCLUSÃO:

Chegam momentos na vida cristã e missionária que pensamos que existem mais moedas (recursos) nos peixes do que na igreja e nas pessoas. A grande inclinação dos missionários é ficar esperando os recursos virem das igrejas (instituições) e das pessoas (crentes), este texto, nos exorta a dependermos da direção de Deus. Os recursos virão sempre da Palavra dada e orientada do Senhor Jesus. Devemos confiar unicamente na Palavra que vem da boca dele dizendo a nós aonde devemos buscar os recursos. A Palavra dele poderá nos orientar a buscar os recursos em alguma igreja Instituição ou denominação, ou ainda, a Palavra do Senhor poderá nos conduzir a algum homem cristão, ou a alguma mulher cristã, mas, devemos nos abrir para as possibilidades absurdas de que a Palavra de Deus nos direcione aos peixes. O importante é a continuidade da missão e das missões. Quando a igreja instituição retém o estáter, Deus utiliza os peixes. Quando as pessoas que possuem recursos interrompem a contribuição, por discernirem ser justo ou não investirem, Deus manda alguém que entende de peixe fisgar um peixe apenas para que a missão continue.
Louvado seja Deus, porque estamos aprendendo na multiforme sabedoria de Deus a dar continuidade a obra missionária mundial, com poucos recursos, e oriundos de igrejas, de pessoas e de peixes. A missão continua! Entremos em nossa Cafarnaum! Valeu Pedro! Obrigado Senhor pelo Peixinho que engoliu o estater e deu continuidade à missão! Os homens andam na terra e os peixes nadam nos rios e mares e tudo isso para o louvor da sua glória! Com homens na terra e peixes nas aguas Deus faz as missões acontecerem no seu Reino! Que projeto maravilhoso! Deus nos abençoe!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Conselhos para um missionário


por: Ronaldo Lidório

Algumas semanas atrás a revista POVOS pediu que eu escrevesse 10 conselhos aos missionários. Partilho abaixo, por entender que se aplicam a todos os que servem a Deus.

1. Cuide de sua vida com Deus. Cuide bem de sua vida pessoal, especialmente de sua vida com Deus. Não negocie os momentos devocionais diários, mesmo debaixo das pressões do campo
 e do ministério.

2. Priorize a família. Não é segredo que a família é a instituição mais atacada em nossos dias. Priorizá-la tem sido uma ordem amplamente repetida, porém pouco praticada. De forma simples, priorizar a família é dedicar tempo e atenção à mesma.

3. Tenha um modelo de descanso. Normalmente a agenda missionária não é linear, portanto, poucos conseguem desenvolver uma rotina semanal. Se retirar um dia de descanso por semana não é um modelo viável em seu caso, use outros. O modelo de Cristo era de se engajar intensamente com o ministério e depois desengajar por um tempo para se refazer. É necessário ter um modelo de descanso.

4. Mantenha relacionamentos saudáveis. O relacionamento é possivelmente a melhor ferramenta de trabalho no universo missionário. Não se envolva com conflitos desnecessários e tenha em mente que manter um bom relacionamento com sua equipe e com o grupo-alvo determinará, em boa medida, o rumo do seu ministério.

5. Siga sua visão e chamado. Envolver-se com tudo é a melhor receita para nada concluir. Tenha uma visão clara e um ministério definido. Projete o que você, de acordo com sua visão e chamado, gostaria de ver concluído em 5 ou 10 anos.

6. Organize-se. Tenha um projeto ministerial bem definido e, preferencialmente, por escrito. Tenha clareza de alvos, estratégias e atividades. Liste as atividades em sua agenda, separando-as por mês e por semana. Faça listas diárias - se for de ajuda - e revise, sempre, a relação do que precisa ser feito.

7. Administre as críticas. A única forma de não ser criticado é nada fazer. Portanto, saber administrá-las é essencial para o missionário. Algumas dicas: (a) Não a jogue fora. Mesmo a que é formulada ou comunicada carnalmente pode conter uma verdade sobre a sua vida; (b) Não durma com a crítica. Após avaliá-la perante o Senhor, use o que for proveitoso e se desfaça dela. A crítica guardada por períodos prolongados desenvolve a capacidade de gerar profunda ansiedade na alma; (c) Não se torne um crítico. As pessoas mais críticas que conheço foram muito criticadas no passado.

8. Não faça de sua casa um lugar de refúgio. Aprender uma língua e uma cultura, plantar uma igreja ou desenvolver um projeto social, requer relacionamento com o povo local. Gaste mais tempo com o povo do que com sua equipe. Limite o tempo no computador e tenha uma rotina diária fora de casa.

9. Trabalhe enquanto é dia. Missionários tendem a deixar seus campos sem aviso prévio. As causas vão desde enfermidades, vistos, educação dos filhos, até outros fatores imprevisíveis. O tempo que você tem no lugar que Deus o colocou é, portanto, preciosíssimo. Use-o com sabedoria e intensidade.

10. Mantenha seu coração ensinável. Sempre temos muito a aprender e, às vezes, com a pessoa mais improvável. Leia, converse, participe de cursos e encontros, reflita sobre o que vê e ouve. Um coração ensinável aprende mais de Deus e não comete duas vezes o mesmo erro.

fonte: http://www.ronaldo.lidorio.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=163&Itemid=26