domingo, 10 de junho de 2012

Eu o tornarei perfeito



Ele bem que advertiu as pessoas a “calcularem o custo” antes de se tornarem cristãs. “Não cometa nenhum erro”, ele diz; “se você deixar, eu o farei perfeito. Na hora em que você se coloca em minhas mãos, é para isso que você está aqui. Nada menos ou diferente disso. Você tem livre-arbítrio, e se quiser pode até me dar um ‘chega pra lá’. Mas se você não me empurrar, pode ter certeza que eu vou levar adiante esse trabalho. Não importa o sofrimento que possa causar na sua vida terrena, não importa que purificação inconcebível possa lhe custar depois da sua morte, não importa o custo, eu nunca descansarei, nem o deixarei descansar, até que você esteja literalmente perfeito – até que o meu Pai possa dizer sem reservas que ele se agrada de você, da mesma forma que me disse que se agradava de mim. Isso eu posso e vou fazer. Mas não farei nada menos que isso.”

Ainda – esse é o outro e igualmente importante lado disso -, esse ajudador que, a longo prazo, não fica satisfeito com nada menos do que a perfeição absoluta, também terá prazer nos primeiros esforços débeis e trôpegos que você fará amanhã para realizar o seu dever mais simples. Como um grande escritor cristão (George MacDonald) já destacava, todo pai se agrada com as primeiras tentativas do seu bebê para andar; nenhum pai ficaria satisfeito com algo menos do que um andar firme, livre e masculino no seu filho adulto. Da mesma forma, ele disse: “Deus é fácil de agradar, mas muito difícil de satisfazer”.

por: C S Lewis – Cristianismo Puro e Simples

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Pregadores nas Mãos de um Deus Irado


por: Vinicius O. S. Guimarães

"Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas" (2 Timóteo 4:3-4)

Há alguns séculos atrás Deus levantou um homem que transformou a perspectiva teológica conhecida até então, chamava-se: Jonathan Edwards (1703-1758). Em 8 de julho de 1741 em Enfield, Connecticut (Estados Unidos), ele proferiu o famoso sermão: “pecadores nas mãos de um Deus irado”, causando um impacto inesquecível naqueles que ouviram. Atualmente este sermão tem sido publicado em várias línguas, trazendo proveito espiritual a milhares de pessoas em toda parte do mundo.
Do século XVIII até a era presente vários oradores parafrasearam o sermão de Edwards aplicando-o nas mais diversas situações eclesiásticas e teológicas, a exemplo temos: “Deus nas mãos de pecadores irados”, “Pecadores nas mãos de um Deus muito irado” e etc. Contudo, a vivencia na sociedade pós-moderna oriunda dos caprichos do século XXI nos leva a um vislumbre nebuloso de “pregadores nas mãos de um Deus irado”.
A leitura do cenário pós-moderno revela que a desnutrida formação teológica dos pregadores tem contribuído substancialmente para que as heresias e aberrações se tornem rotinas no seio eclesiástico. A raquítica e superficial educação bíblica ministrada nas igrejas só tendem a acentuar o problema. A falta de incentivo hermenêutico por parte da liderança corrobora e acelera as manifestações de abusos ministeriais.
Na “crista da onda” das heresias encontra-se a Teologia da Prosperidade. Pode ser entendida como um conjunto de princípios que afirmam que o cristão verdadeiro tem o direito de obter a felicidade integral, e de exigi-la através de decretos e ordenanças. Segundo os adeptos desta linha de pensamento, Jesus veio ao mundo pregar o Evangelho aos pobres justamente para que eles deixassem de ser pobres.
Tudo começou com Essek William Kenyon (Nova York, EUA, 1867), ex-pastor das igrejas batista, metodista e pentecostal, que influenciado por idéias de seitas cristãs/metafísicas, desenvolveu estudos que entre outras coisas tratava de: poder da mente, a inexistência das doenças e o poder do pensamento positivo. Posteriormente, entra em cena Kenneth Hagin (Texas, EUA, 1918), discípulo fiel de Kenyon. Sofreu várias enfermidades e pobreza na juventude. Contudo, aos 16 anos diz ter recebido uma revelação quando lia Mc 11.23,24, entendendo que tudo se pode obter de Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção da resposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário.
A “Santa Igreja Evangélica” tem pregado doutrinas que assemelham (para não dizer que copiam) das: católico romanas, judaicas, espíritas e até mesmo umbanda. O pior é que os membros, conselhos ministeriais e assembléias gerais parecem fazer vista grossa frente à tamanha distorção bíblica. Em meio a este sincretismo religioso disfarçado de novas estratégias para o crescimento da Igreja percebe-se um estupro dos ensinos de Cristo Jesus. Tal realidade é uma agressão moral ao caráter de Deus.
Os cultos giram em torno de temas como: dinheiro, demônios e enfermidades. Pode-se freqüentemente observar práticas pagãs, bastante comuns no catolicismo popular e mesmo na umbanda, como distribuição de "fitinha da prosperidade", "sal grosso", “sabonete da purificação”, “espada da vitória”, “chaves do sucesso”, “rosas ungidas”, “cruz do triunfo”, lenços, rituais de descarrego com "arruda" para dar sorte, água benta, óleo ungido etc.
A igreja “picadeiro de Jesus” também não fica para traz. Os pregadores só faltam se vestirem de palhaços, pois as piadas e os showzinhos já acontecem normalmente nos púlpitos. O termômetro que ajusta a aceitação do sermão são as gargalhadas eufóricas da platéia. A cada domingo a preocupação é aprender novas piadas para não cansar as pessoas com as mesmas crônicas. O louvor também aproveita o picadeiro aberto para lançar as mais loucas músicas. Assim, o circo está armado e por algumas horas tudo se resume no bem estar dos ouvintes. E Deus? Ah! Deve estar lá na última fileira de bancos apenas olhando e tentando descobrir do que as pessoas tanto riem daquele que deveria ser Seu porta-voz.
A triste realidade de pregadores que inquestionavelmente mais se parecem com animadores de palco tem sido comum, até mesmo nas mais conservadoras denominações. A liturgia dos cultos está sendo assassinada, dando espaço para shows no mínimo esquisitos. As músicas outrora inspiradas por Deus sedem espaço para plágios de sucessos do meio secular, mudando apenas a letra para não “escandalizar”. A Escola Bíblica Dominical perde ibope, pois o foco não mais é ensinar, mas sim empolgar as platéias com mega produções impressionistas.
A Igreja “fast-food” é a moda do momento. Os estudo teológicos que antes eram de quatro anos se resumem agora a meros meses. Os ensinos bíblicos sedem lugar para lições levianas da famosa super legalidade hierárquica. O pensar se condiciona à vontade do cacique da Igreja. A reação provocada por atitudes como as mencionadas anteriormente é de fácil percepção. Contudo, a miopia oriunda da falta de educação teológica tem dificultado o amadurecimento eclesiástico.
O terrível diagnóstico pós-moderno eclesiástico não cessa. Talvez como golpe final no que ainda restou de dignidade na igreja contempla-se um estilo de pregação cada vez mais crescente: os anti-teologia e anti-missões. A falta de incentivo ministerial e financeiro para com os seminaristas retrata o perfil dominador-medroso dos lideres. A decorada justificativa de não se ter recursos para sustentar missionários no campo reflete tão somente o quanto a Igreja está longe do propósito de Deus.
A grande verdade por detrás deste pano de fundo é que Deus tem tolerado a Igreja Evangélica. Haverá um tempo onde o próprio Deus há de intervir derramando juízo sobre os Seus. Quando este dia chegar contemplaremos a apavorante e assombrosa visão de “pregadores nas mãos de um Deus irado”.
"Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho; e que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si"
(Atos 20:28-30)
 
Que Deus nos ajude!

*Vinicius O. S. Guimarães ( vinicius@tocandoasnacoes.comEste endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email ) é natural de Goiânia – Goiás – Brasil, casado com Priscilla Dayana A. B. Guimarães. Escritor dos livros “Conversão – uma mudança de vida”, “A Bíblia fazendo história”, “Lições do Maestro” e “Pescadores de Vidas”. Bacharel em Teologia com concentração em Missiologia pelo Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro (STEBB), bacharel em Administração Geral pela Universidade Católica de Goiás (UCG), especialista em Estudo da Bíblia pela Faculdade Evangélica de Teologia de Belo Horizonte (FATE-BH), especializando em Docência Universitária pela Faculdade de Goiás (FAGO), mestre em Ministério com concentração em liderança pela Faculdade de Teologia Evangélica da Igreja de Deus (FATEID). Colaborador da Revista Linha Aberta (Florida – USA), membro da Associação de Professores de Missões do Brasil (APMB), presidente da Missão Tocando as Nações (MTN) e pastor da Comunidade da Fé (COFE) em Goiânia. Atualmente leciona na Faculdade de Teologia Evangélica da Igreja de Deus (FATEID), no Seminário Teológico Evangélico do Betel Brasileiro (STEBB) e no Instituto Unificado de Ensino Superior OBJETIVO.



terça-feira, 5 de junho de 2012

Diante do Senhor – O Endemoninhado (Marcos 5:1-20)


Da desordem a ordem. Da exclusão a inclusão
por: Leonardo Felipe

"2 Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo,[...] 15 Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram." Marcos 5:1-20

Jesus atravessa o Mar da Galiléia e chega à margem oriental. Na travessia enfrentou forte tempestade que quase levou o navio a pique. Já na margem Cristo encontra uma figura “aterrorizante” e “medonha”. 
Hendriksen diz que, no final do capitulo 4 e início do capítulo 5, Jesus sai da situação de “mar agitado” (Mc.4:35-41) para encontrar um “homem agitado” (Mc.5:2-18). Humanamente falando, ambos (Mar Tempestuoso e Homem Endemoninhado) eram indomáveis, mas diante de Jesus o improvável se torna provável, o impossível é possível e a desgraça virá graça.
Desordem e exclusão! Era no ritmo dessas duas situações que esse homem anônimo vivia. Vivendo no meio dos sepulcros, acorrentado, ferido (devido sua constante automutilação), fétido e maltrapilho (talvez desnudo) passava seus dias e noites. 
Esse homem era o refugo, a causa perdida, a escoria, a completa desordem social, a exclusão no mais alto nível e o mais alto grau de loucura lhe era imposto. E assim passava seus dias e noites. 
Era um homem sem perspectiva, sem possibilidade, sem esperança, sem chance, sem meios possíveis para suplantar sua situação. E assim passava seus dias e noites.
Esse homem era tentado, oprimido, preso, amordaçado, cativo, reprimido e escravizado por seus demônios. E assim passava seus dias e noites.
Era um homem solitário, sozinho, humilhado, rejeitado, esquecido, ignorado, abandonado e largado á própria sorte. E assim passava seus dias e noites.



Mas, naquela manhã tudo iria mudar. Diante de Cristo a opressão, a possessão, a escravidão, o cativeiro e a mordaça são retirados. As correntes espirituais, emocionais e humanas caem e a libertação chega, o refrigério é derramado, o perdão e concedido, a consciência se recobra, as correntes das trevas são destruídas e a liberdade acontece. E é nessa nova forma que esse homem passará a viver seus dias e suas noites.
Talvez seja preciso nos encontrar com Cristo também. Talvez alguma área da nossa vida precise se encontrar com Cristo. Talvez na nossa jornada algumas circunstâncias e situações estejam sem esperança, perspectiva e possibilidades.
O Cristo que acalmou a tempestade pode acalmar as vidas tempestuosas; abrandar situações e áreas turbulentas da nossa existência;  mudar a desordem das nossas vidas em ordem; transformar a exclusão em inclusão. 
O Cristo que acalmou a tempestade pode acalmar corações e liberta cativos espirituais.
Depois que se encontra com Cristo, aquele antigo endemoninhado que causava espanto agora está “assentado, vestido e em perfeito juízo”. O espanto dos seus conterrâneos quando lhe vêm dessa forma é outro. Atônitos, assustados, chocados e com medo ficam sem entender e pedem que Cristo vá embora diante de tamanho rebuliço.
O homem renovado por Cristo, antes sem propósito, quer agora estar com o mestre. Mas, Ele lhe dá um propósito e um desígnio. “...Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti. Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam.” O novo homem sai anunciando em Decápolis (Dez cidades ou dez vilarejos) sua libertação. É agora um missionário, representante do Rei dos Reis.

por: Leonardo Felipe. 



segunda-feira, 4 de junho de 2012

“Adorar em Espírito e em Verdade”

"Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores." (Jo.4:23)


São vários os significados para as palavras louvar e adorar. Pode ser exaltar a alguém; glorificar os méritos de alguém; elogiar uma pessoa; destacar os méritos de uma coisa; render culto a alguém ou alguma coisa; gostar exageradamente de um lugar, pessoa e/ou coisa; e manter devoção a uma coisa, lugar e/ou pessoa. Todas essas ações ou atitudes podem explicar o que é louvar e adorar.
Essas duas palavrar pertencem à classe gramatical do verbo transitivo. E os Verbos Transitivos, exigem complemento (objetos) para que tenham sentido completo. Louvar e Adorar a alguma coisa ou Alguém.
A Bíblia diz que fomos criados para louvar e adorar a Deus. Essa é a razão da nossa existência. 5 Deus nos predestinou para Ele, para adoção de filhos por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua Vontade,6 para louvor da glória de Sua Graça, que Ele nos concedeu gratuitamente no Amado, [...]11 no qual fomos feitos herança predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua Vontade 12 a fim de sermos para louvor de Sua Glória nós os que de antemão esperamos em Cristo.” (Efésios 1:5-6 e 11-2).
Alguns princípios podemos aprender com Cristo na passagem descrita pelo apóstolo João. O primeiro, é que para adorarmos há Deus, em Espírito e em Verdade, não dependemos de um local, ambiente e construção para realiza-la ou pratica-la. O segundo, para adorarmos há Deus necessitamos conhecê-lo através de um relacionamento verdadeiro e sincero. E por último, para adorarmos há Deus não necessitamos dominar técnicas musicais e nem ter um dom musical.
Adorar a Deus em Espírito e em verdade é honrar a Deus de tal maneira que todo o nosso ser entra em ação. Adorar a Deus em Espírito e em verdade é quando buscamos viver na prática toda a verdade revelada que é a Bíblia. Essa adoração não é somente espiritual e não é somente física. Essa adoração não é somente interior e não é somente exterior. Envolve nosso corpo, mente e coração. "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus (1Co.10:31)”. Há adoração em Espírito e em verdade é dirigida e destinada ao nosso Deus verdadeiro. Há adoração em Espírito e em verdade é para louvor e adoração do nome de Deus, somente Dele.




Perdoar é preciso - LU&TERO com Marcos Botelho

O que fazer quando alguém nos magoa profundamente?
Por que perdoar é tão difícil?
Onde podemos encontrar o perdão?


sábado, 2 de junho de 2012

Sofrimento

por: Ed René Kivitz


O sofrimento pode ser o caminho através do qual chegamos às nossas verdades. A estrada pela qual chegamos à maturidade atravessa, necessariamente, a escuridão e a solidão. A escuridão, porque sofrer implica perder as referências, desdenhar das explicações, questionar os clichês e aventurar perguntas. A escuridão é o momento quando não caminhamos porque vemos, mas porque intuímos, recordamos e temos fé. Intuímos o rumo certo pelo tanto que já caminhamos, recordamos as experiências aprendidas em momentos semelhantes no passado e andamos por fé, que supera as trevas, prescinde de explicações e transcende as certezas.
A solidão é imprescindível na trilha do sofrimento. A dor pode ser compartilhada, mas jamais transferida. Pode ser percebida, mas não capturada. Pode até ser escondida, mas nunca suprimida. Quem sofre, sofre sempre em solidão. Não necessariamente porque lhe falta boa e providencial companhia, mas porque todo sofrimento pessoal, em sua dimensão mais profunda e essencial, é intransferível. O sofrimento tem sua realidade particular, e não pode ser diferente: cada um sofre por uma razão, é vitimado em áreas distintas, por motivos diversos e com respostas as mais variadas, num dégradé de resiliência que vai da meninice do chororô ao heroísmo quase estóico, incluído entre os tons das cores a grandeza da fé, resignada e esperançosa, e por isso engajada e mobilizadora.
O sofrimento desperta para o ético e o estético. Convoca virtudes adormecidas a que subam ao palco: coragem, perseverança, paciência, honradez, respeito à vida. Possibilita o lapidar do caráter, apara arestas, harmoniza as formas, faz irromper a beleza escondida na frieza do coração. O sofrimento quebranta orgulhosos, vaidosos e prepotentes, faz desmoronar intransigentes, legalistas e moralistas. Como o martelo do escultor, retira os excessos da pedra e dá à luz o belo, o sublime, o deslumbrante.
Quem sofre descobre seus limites, identifica verdadeiras amizades, vislumbra novos horizontes, abre a mente para novas verdades e o coração para novos amores. O sofrimento produz compaixão, evoca misericórdia, gera solidariedade. O sofrimento cria caminhos para arrependimentos e confissões, subverte juízos e sentenças, possibilita aproximações e reconciliações.
O sofrimento coloca homens, mulheres, velhos e crianças, de joelhos. Faz com que os olhos procurem os céus. Dilata a alma para o mistério, conclama o espírito para o inefável, inspira poesias e canções, faz surgir nos lábios o perfeito louvor. Quem sofre aprende a perdoar e pedir perdão. Ganha a oportunidade de colocar o rosto no chão, em clamor e oração. O sofredor jamais chora em vão. Deus habita também a sombra e a escuridão.
O sofrimento é o ônus do viver, o custo do amor, a paga pelo crescimento, o preço da maturidade. Viver é muito perigoso, já dizia Guimarães. Amar é muito precioso. Crescer é muito doloroso. Amadurecer é muito custoso. Crer é coisa de teimoso. O sofrimento diminui o poder da morte, dissolve a crueldade da indiferença, envergonha a pequenez da alma, desmascara o mundo de mentirinha da ingênua infância, quebra a maldição da incredulidade. Aceitar a realidade e inevitabilidade do sofrimento é escolher a vida, decidir amar, optar pela plenitude, apostar na fé.
© 2007 Ed René Kivitz
Fonte: http://edrenekivitz.com/blog/2012/06/sofrimento/#comment-5337

Renunciar



“Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.” (Lc.14:33)

Na caminhada da nossa vida cristã. Muitas coisas e fatos ocorrem que nos aproximam e afastam de um relacionamento mais próximo com Deus. Não que Ele se afasta de nós, ou nos rejeite, mas nós, na nossa ignorância e falta de compreensão da verdade ou mesmo afundados na iniquidade e dureza de nosso coração, nos distanciamos Dele.
Isso ocorre, porque muitas vezes nós nos negamos a continuar no nosso processo de conversão ou santificação (como melhor entenderem essa caminhada). Nessa passagem específica (lucas 14:26-33) percebemos que Jesus chama seus discípulos a viver um momento e num nível diferente com Ele. Ele chama para uma experiência nova na vida cristã. Cristo os chamou e nos chama para vivermos uma vida de abnegação, altruísmo, desambição, desapego a coisas materiais, desinteresse e desprendimento para tudo o que o mundo oferece e apresenta como bom ou importante.
Não quero defender que devemos viver como monges, budistas e freiras católicas, enclausurados em mosteiros, conventos e templos, vivendo isolados de tudo e de todos, sem ambição, sem vaidades e só voltados para o “espiritual” transcendental como budismo, hinduísmo e espiritismo fazem.
Quero dizer algo claro nessa fala de Cristo. Devemos colocar Cristo Jesus em primeiro lugar em nossas vidas, no lugar que é somente Dele, precisamos viver como Ele viveu. Quando confessamos a Cristo como nosso Salvador e Senhor, devemos nos lembrar que Ele é o Senhor da vida que temos. Nosso Eu e a nossa vontade não mais nos dirige e nem nos orienta e sem Ele, Jesus Cristo.
Pala fala disso em sua carta aos Filipenses 3:4-8 “embora eu mesmo tivesse razões para ter tal confiança. Se alguém pensa que tem razões para confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado no oitavo dia de vida, pertencente ao povo de Israel, à tribo de Benjamim, verdadeiro hebreu; quanto à lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por cuja causa perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar a Cristo”.
Jesus Renunciou por nossa causa. Cristo o Filho de Deus, o próprio Deus filho, ao se fazer homem e vir ao mundo deixou tudo por nós. Ele, O Filho do Altíssimo, o Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz, renunciou a tudo por nós, por mim e por você. Ele não recuou, não hesitou, não nos negou e nem abandonou o projeto que tinha para todos nós, de nos salvar morrendo vergonhosamente em nosso lugar. Ele Renunciou sua glória, seu lar, seu direito co o Pai Celeste e com o Espírito Santo, sua família (mãe e irmãos na terra) e sua vida por Nós. O profeta Isaías disse: “Ele foi oprimido e afligido, contudo não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca."(Is.53:3-8)
Na passagem de Lucas o Mestre Jesus chama seus discípulos para uma conversa reservada entre eles. Uma conversa mais profunda, onde Ele queria mostrar mais uma coisa aos seus discípulos: “a importância de renunciar”. Jesus, simplesmente não exigiu a renuncia deles, antes mostrou na prática o que é renunciar e levou essa renuncia até ao mais alto sacrifício.
Se vivêssemos num país sem liberdade religiosa, onde fosse proibido orar, ler a Bíblia, pregar a palavra de Deus, cultuar o Senhor e ir para a Igreja, qual seria nossa atitude em relação a Cristo? O negaríamos ou renunciaríamos a tudo por Cristo, tendo em vista o risco até de morrer por Ele. Morrer por Ele, renunciar a nossa vida confortável por causa Dele, estamos dispostos a viver essa verdade caso seja necessário?
Que sempre possamos colocar a nossa vida no altar de Jesus dando a Ele o centro de nossa vida e de tudo o que somos. “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” (Mt.6:33)

Na dependência do Senhor!

Fica na Paz

por: Leonardo Felipe.








sexta-feira, 1 de junho de 2012

O tempo!



O sábio divinamente inspirado deixou as sagradas palavras: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu (Ec.3:1)”. Um autor desconhecido (pelo menos não achei o nome) disse: "...quatro coisas que não voltam para trás: A pedra atirada, a palavra dita, a ocasião perdida e o tempo passado." Quando a modernidade despontava Benjamim Franklin cunhou a frase: “Time is money” (tempo é dinheiro), que se tornaria numa das regras básicas do capitalismo.
Não estou aqui para defender uma tese sobre o tempo e nem tentar imprimir uma verdade sobre o que é o tempo. Mas, o tempo me instiga. Me faz pensar! Alguns dizem que o Tempo é um excelente remédio.
É comum ouvirmos e até dizermos: “Como o tempo esta passando rápido”. “Esse ano já esta acabando”. “Esse ano passou e nem percebi”.
Ricardo Reis em seu poema “Breve são os anos” disse:
“No breve número de doze meses
O ano passa, e breves são os anos,
Poucos a vida dura.”
Cada ano passa cada vez mais rápido.
São vários os fenômenos que explicam essa sensação de brevidade temporal. Sobrecarga de atividades, Excessivo acesso a informações e a urbanização da vida, tornaram o tempo escasso, raro e caro.
Passamos mais tempo no trabalho, no trânsito e na frente da TV e internet do que em devocional com Deus, com a pessoa que se ama, com a família, os amigos, lendo, viajando, estudando e ajudando o próximo.
É cada vez mais difícil reunir a família, amigos e pessoas que amamos com tempo tranqüilo. A correria do dia-a-dia nos deixa sem tempo para tudo e todas as coisas. Não temos tempo para descansar, nos cuidar, desenvolver com calma nossa profissão ou trabalho.
Sem tempo para uma vida equilibrada e normal, alguns sufocam o resto de tempo que se tem com seus ciclos de relacionamento e convivência.
É comum observar quase todas as pessoas vivendo com uma constante sensação de tempo perdido, de tempo desperdiçado e de tempo jogado fora as coisas estão sempre atrasadas e urgentes.
Sem dúvida nenhuma que diante de algumas situações que passamos, vivenciamos e praticamos temos a convicção de que jogamos nosso tempo fora ou desperdiçamos parte do nosso tempo.
Vivemos numa ditadura do Tempo. Onde quanto menos tempo de uso ou quanto mais novo será considerado melhor, mais bonito, mais valioso, mais desejado e mais admirado. Coisas e pessoas com mais tempo de vida e uso são desconsiderados e até rejeitados.
O apostolo Paulo advertiu que devemos remir “o tempo; porquanto os dias são maus.” (Ef.5:16). O grande missionário nos diz que devemos aproveitar da melhor forma possível o tempo fazendo aquilo que o Senhor nos ensinou nas Sagradas Escrituras. Isso tem a ver com, organizar nossa vida, colocar na ordem certa nossa caminhada, para que possamos suplantar as adversidades da vida e viver na plenitude daquele que é Atemporal.
Tempos difíceis são estes! Tempo de desencontros. Tempos de aflição. Tempos de desunião. Tempos de separação. Tempos de muita falta de Tempo.


Mas, o criador de Todas as Coisas é Atemporal: transita no tempo sem necessariamente pertencer ao passado, futuro ou presente.
O Criador de nossa existência Foi, É e Sempre Será. Ele é Eterno. Ele é o alfa e o ômega, o principio e o fim.
O Criador de tudo que há, o Eterno controla o nosso tempo, conhece nosso passado, o presente e o futuro.
O Eterno faz velhos com esterilidade ter filhos, quando ninguém acreditava que houvesse tempo na vida deles para isso.
O Eterno separa um adolescente para ser Rei. E o mesmo passa de 12 a 13 anos fugindo, se escondendo e esperando o tempo certo do Eterno para assumir seu Reino.
O Eterno que faz o tempo de uma geração (40 anos) de “duras servis” (coração duro) passar no deserto para que outra geração entrasse na terra prometida.
O Eterno sabe usar o tempo para nos tratar e nos preparar para cumprirmos seus propósitos e para chegarmos a Eternidade.
O Eterno, o Senhor do Tempo! Ele controla o passado, o presente e o futuro. Colocar o tempo de existência que Deus nos concede aqui na terra é a melhor opção para vivermos melhor esse tempo de existência antes da eternidade com o Eterno.
Que o Eterno nos dê sabedoria, entendimento e discernimento para aproveitar o Tempo que Ele nos dá.

por:Leonardo Felipe