quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Senhor do tempo e Seus desígnios temporais

"Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar, tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter, tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de lançar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz”.
[Eclesiastes 3:1-8] (NVI)

Este artigo é mais um daqueles que se configuram na categoria desabafo pessoal, não tem cunho doutrinário, nem tem a pretensão de ensinar algo, apenas refletir sobre minhas dores, conquistas, frustrações e realizações. Quem sabe tais postulados possam ser congruentes e afins com os que hão de ler as linhas que se seguem e desta maneira produzir algo de bom, pois como diria um antigo professor da minha época de colegial: “existem três tipos de pessoas: as tolas que erram e nunca aprendem, as inteligentes que erram e aprendem, e as sábias que vêem o erro dos outros e aprendem”. Portanto, use este texto para te ajudar a ser um pouco mais sábio(a). Optarei em utilizar a linguagem na primeira pessoa do singular e terei como pano de fundo as vésperas de meu aniversário de 31 anos de idade. Apesar da pouca idade gostaria de puxar uma cadeira e convidar minha alma a repensar sobre os tempos, convidar meu coração para se assentar e escutar as palavras que nunca foram pronunciadas, convidar meu intelecto a se curvar sobre as lágrimas que ensinam mais que as exaustivas aulas expositivas, e, convidar as minhas vivências para um piquenique onde vamos chorar de tanto rir de meus pessimíssimos e rir de tanto chorar de meus otimismos.

Há momentos que paramos e pensamos no que faríamos diferente, pois bem, vamos começar por ai. Com certeza faria muita coisa diferente! Não zombaria de tantas pessoas que me ombrearam na jornada e que por prepotência julguei a mim mesmo melhor que estes só por puro orgulho. Não me apegaria tanto nas coisas que me vieram às mãos, pois estas coisas sem as pessoas são apenas objetos inúteis e que produzem um saudosismo maquiavélico e sombrio. Não lutaria por tantas causas que invariavelmente me afastaram de quem eu sou e me distanciaram dos propósitos de Deus que acredito produzem vida. Não perderiam tanto tempo querendo mostrar para as pessoas o que elas querem que eu seja, pois tal pretensão gera um sentimento de falsidade no mais profundo do meu ser e que de tanto fingir chega o dia em que não mais se sabe quem se é de verdade. Não mataria tantos sonhos em corações inocentes sob a ambição de que cabia a eu aproxima-los da dura realidade da existência, tal alínea só fez o meu mundo ser mais escuro, pois as utopias são tipo luzes que nos faz acreditar em algo maior do que nós mesmos somos. Não correria tanto, pois velocidade sem direção é a certeza de se chegar a lugar nenhum.

Na contra mão do paragrafo anterior há também aqueles momentos que paramos e pensamos no que fizemos certo, no que fizemos de bom, vamos por esta via agora. Cautelosamente afirmo que fiz pouco isto! Escolhi viver em prol do próximo, da fraternidade, da Igreja, isto foi a melhor escolha em minha vida, mesmo reconhecendo que ainda estou muito longe do padrão esperado por Deus, por mim e pela igreja que sirvo como pastor. Optei por passar adiante o pouco que sei, e nestas três décadas de existência pude perceber as grandes árvores que esta sementinha se tornou em outros, obviamente que poderia ter feito mais, porém foi o melhor possível. Constitui família, dedicando tempo no esforço de fazer estes felizes, aprendendo o altruísmo do amar e a arte de perder para que o outro ganhe, porém reconheço que já fui melhor nisto. Fiz um filho, Gabriel, aqui com apenas oito meses de vida, ele me fez entender e me conduziu a praticar os conceitos mais elementares da vida cristã, como amar, doar, sorrir, abraçar, olhar, sentir... elementos estes que reconheço estavam tão distantes do meu coração por causa do que sou (ou, estou sendo). Enfim, estou vivo, isto é bom, pois sobreviver neste mundo já é uma conquista.

Há aqueles momentos que indagamos acerca do que gostaríamos de ter feito, mas que obviamente não fora feito. Vamos por nossos pés neste solo escorregadio agora. Poxa! Queria ter feito muita coisa! Queria ter lido mais poesias, desta maneira teria aprendido a sentir mais e falar menos. Queria ter olhado mais as estrelas, elas sempre me fizerem vislumbrar a grandeza de Deus e a minha pequenez. Queria ter escutado mais meu coração ao invés de tentar me mutilar a fim de adequar-me as expectativas da sociedade, tristemente ambos perderam. Queria ter sido amigo de mais gente, isto me faria ter mais amigos hoje. Queria ter chorado mais, lamentado meus dissabores, aproveitado meus fracassos, porém aprendi a levantar rápido demais e assim mui em breve me esqueço do porque tropecei, o que provavelmente me fará trupicar outras vezes. Queria ter sorrido mais das coisas bobas da vida, mas me tornei sério demais para vivê-las. Queria ter arriscado mais, mesmo que isto me fizesse perder mais, a estabilidade/previsibilidade é um câncer que me consumiu a coragem, me tornei apenas um ser medíocre.

Verdade seja dita, entre o que eu gostaria que fosse e o que é há um hiato intransponível por causa do fator tempo. De fato não posso mudar o passado, ele está eternizado. Só me resta domar o incontível presente e ser assombrado pelo desbravável futuro. Tudo isto digo não como um lamento pessimista, depressivo e frustrante. Não! Definitivamente não! Contudo, preciso ser honesto comigo mesmo e admitir tais fatos descritos nos parágrafos anteriores como forma de reavaliar a mim mesmo. Por isto, diferentemente do que possa parecer não estou desfalecendo, nem desistindo, e muito menos chutando o balde. Com este discurso (leia-se artigo) estou a adorar o “Senhor do tempo” que de forma inexplicável me brinda com mais um ano de vida. A este Deus atemporal que existe ante da eternidade, e que conduz todas as coisas para o fim que apraz a Si próprio, quero bradar minha rendição, humilhação e fraqueza. Tributando a Ele que eu não sou, mas reconhecendo que Ele é o Grande Eu Sou. Desnudando minha alma e a colocando temporalmente num pelourinho de vergonha para que em nada me glorie, mas me conforte nas sombras da Cruz do Calvário.

Ele é o “Senhor do tempo” e entre Seus designíos há tempo para tudo: “tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar, tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter, tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de lançar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz” – cf. Eclesiastes 3:1-8. Não gostaria de viver no tempo de morrer, arrancar o que se plantou, prantear, espalhar as pedras, desistir, lançar fora, rasgar, entre outros tempos do gênero, mas não tenho escolha, assim como você caro leitor. Nas páginas da vida não se escreve apenas com os tempos de plantar, rir, dançar, abraçar, costurar, amar, entre outros tempos de bonança. Por isto não me sinto errado pelas minhas desventuras, só me sinto vivo. A boa notícia é saber que se nesta vida nada é eterno, são apenas tempos, então, as coisas podem inesperadamente e simplesmente mudar. Minha oração tem sido que Deus me guie para aproveitar ao máximo os tempos bons e que Ele, nos tempos difíceis, me dê força para não desfalecer.

É impossível entender os tempos! O Deus Eterno rege a vida de pessoas temporais, desta maneira, eu um mero ser mortal nunca compreenderei os designíos dAquele que não sofre o peso do tempo. Mas... não preciso entender muita coisa, pois afinal sou apenas um servo (i.e. escravo) dEle. Ele é o meu Senhor, confio a Ele os meus passos aplaudíveis e os vacilantes. Ele é minha canção, ofereço a Ele meus louvores de gratidão e de frustração. Ele é meu escudo, descanso debaixo de Seus braços fortes depositando a Ele minha fé e minhas descrenças. Ele é meu porto seguro, atraco nEle o que eu sou e o que não consigo ser. Ele é meu amigo, falo com Ele sobre minhas grandes aspirações e meus grandes pecados. Ele é meu Deus, reconheço que Ele sabe o que está fazendo mesmo quando seus feitos não se encaixam nos meus moldes confortáveis. Ele é o meu Pastor, sei então que nada me faltará quer eu esteja nos pastos verdejantes ou no vale da sombra da morte. É... finalmente reconheço que nunca conseguirei entender muita coisa, e acredito que isto seja pelo fato de eu não ter sido criado para ser senhor do tempo, só faço parte de um tempo.

Fortalecido pela cruz de Cristo,
Vinicius Seabra | vinicius@mtn.org.br


Artigo escrito em: 03 de Dezembro de 2012


sábado, 24 de novembro de 2012

Como água no deserto.


por: Ronaldo Lidório
O deserto é possivelmente uma das mais claras representações da ausência de vida e esperança. Beduínos e Tuaregues - povos do deserto - desenvolveram milenares técnicas de sobrevivência para resistirem à angustiante mistura de sol, calor e areia. Anos atrás, atravessei a parte ocidental do Saara e, apesar de estar acostumado com as temperaturas tropicais, nada me preparou para os 54 graus à sombra durante aquelas tardes. Lembro-me que o pensamento mais obsessivo e recorrente era simplesmente água, o elemento mais desejado em terras áridas.
Davi escreveu o Salmo 63 no deserto de Judá, enquanto fugia de Saul. Encontrava-se em um dos momentos mais constrangedores de sua vida. Além de estar no deserto, tomado pelo desconforto e temores natos ao ambiente, seu povo e rei o perseguiam.
Contrariando a natural tendência do descontentamento de coração perante as caminhadas desérticas, Davi revela, ali mesmo na areia, que a sua alma tinha “sede de Deus”. Este parece ter sido o pensamento mais paradoxal que passou pela mente do salmista: a sede de Deus era maior que a sede de água. A busca pela presença de Deus era mais forte que qualquer outra carência humana.
Quando em caminhadas solitárias e perseguidos pelos que antes eram mais chegados que irmãos, devemos nos conscientizar desta verdade transformadora: precisamos mais de Deus em nossas vidas do que água no deserto. C.S. Lewis nos diz que “o amor é o princípio da existência, e seu único fim”. Com isto nos incita a pensar que o amor não é apenas o meio, mas também o propósito final. Somos convidados, em toda a caminhada cristã, a andar de forma paradoxal em expressões de amor: perder a vida para ganhá-la; oferecer a outra face a quem nos fere; esperar contra a esperança; amar, e não odiar, os inimigos; perdoar, mesmo perante óbvias razões para a amargura; desejar mais a Deus do que a água, mesmo quando se vagueia, foragido, por entre terras mais secas.
É nessa caminhada que encontramos descanso verdadeiro. Davi não apenas fala da possibilidade de descanso em Deus, mas o experimenta. Os principais verbos nos versos 6 a 8 estão no presente. Davi se lembra, pensa e canta o descanso em Deus enquanto caminha - não apenas o planeja fazê-lo amanhã. Reconhecer que a presença de Deus é melhor que a vida parece ser o exercício mais transformador – de mente, coração e visão de mundo - que qualquer pessoa possa experimentar.
Somos amados por Deus e esse fato deveria definir a forma pela qual vemos a vida e o mundo ao nosso redor. Ser amado por Deus é entender que somos convidados a um relacionamento eterno, é perceber que estamos em lugar seguro e saber que não há nada melhor.
A construção desta canção do deserto revela a alma de Davi. No verso 1, ele expressa que tinha sede de Deus. Nos versos 2 a 5, ele louva a Deus pelo Seu amor que é melhor que sua própria existência. Nos versos 6 a 8, Davi descansa no Senhor e, finalmente, nos versos 9 a 11, ele declara sua confiança na vitória sobre os inimigos.
Encontro-me rotineiramente com pessoas as quais, à semelhança de Davi, experimentam a solidão do deserto, o constrangimento da fuga e a incerteza dos que não sabem para onde vão. A vida, nesses momentos, torna-se mais lenta, opaca e pesada. Porém, justamente em ocasiões assim, a presença de Deus nos convida a crer um pouco mais e nos encoraja a continuar caminhando. Em um relance olhamos para trás e percebemos que no passado o Senhor foi fiel, mesmo no dia mais escuro. Amanhã não será diferente. A presença de Deus sempre traz à memória o que pode nos dar esperança.
Lutero, citado por Mahaney em seu livro “Glory do Glory”, diz-nos que: “esta vida, portanto, não é justiça, mas crescimento em justiça. Não é saúde, mas cura. Não é ser, mas se tornar. Não é descansar, mas exercitar. Ainda não somos o que seremos, mas estamos crescendo nesta direção. O processo ainda não está terminado, mas vai prosseguindo. Não é o final, mas é a estrada. Todas as coisas ainda não brilham em glória, mas todas as coisas vão sendo purificadas”.

Que o Senhor se mostre presente em nossas vidas. Nestes dias o deserto se tornará lugar de alegria e descanso.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Competência e Eficácia




Relação entre conhecimento e prática na missão
por: Ronaldo Lidório

Observando o universo cristão sob o ângulo da nossa missão - sermos sal da terra e luz do mundo - percebemos claramente a necessidade de equilíbrio entre competência e eficácia.

Competência é a capacidade adquirida em alguma área. Isto é, capacidade para aprender uma língua, estudar uma cultura, liderar uma equipe, evangelizar um grupo, coordenar um projeto social ou plantar uma igreja. Não é a ação em si, mas a aptidão de agir. A competência é reconhecida pelos que estão ao redor, produz segurança e transmite credibilidade.

Já a Eficácia é a capacidade transformada em ação. Enquanto a competência está enraizada na capacidade, a eficácia é demonstrada na realização. Ela está presente, especialmente, em processos mais objetivos, proativos e simplificados. Podemos pensar que “competente” é quem sabe o que está fazendo e “eficaz” é aquele que dá conta do recado.

Há também quem diga que a distância entre a competência e a eficácia é a mesma entre o engenheiro e o construtor. Precisamos de ambas, ou melhor, de um equilíbrio entre as duas forças. A competência nos direciona à aptidão para um trabalho sério, bem embasado e com conhecimento de causa. A eficácia nos leva para a reta final, para a produção, ajuda-nos na objetividade e na manutenção do foco de nosso trabalho.

Observando a caminhada da Igreja brasileira - e sua relação com a missão - causa-me temor perceber os dois extremos, igualmente danosos. Competência sem eficácia gera especialistas, mestres e doutores das áreas de conhecimento da missão, porém sem iniciativas aplicadas aos que sofrem, desconhecem o Evangelho ou necessitam de pastoreio. Eficácia sem competência gera ações pragmáticas, desmedidas e, mesmo, antibíblicas, que mais espalham do que juntam.

Destino estas próximas linhas àqueles que se encontram na segunda categoria - competência sem eficácia -, por entender que é um perigo mais iminente em nossos círculos. Enquanto valorizamos de forma exclusivista o conhecimento e as respostas em detrimento das relações e iniciativas, corremos o risco de nos perder nas questões “de meio”. O perigo é chegarmos ao final de uma temporada com muito conhecimento, mas pouca aplicação. Muita compreensão, mas pouca produção. Com mais competência que eficácia.

É rotineiro observar que assuntos de menor importância (ou pouco associados ao nosso alvo maior) ganhem o centro do palco de nosso dia a dia, o que pode nos levar à frustração de vida e ministério em algum ponto.

Devemos sempre relembrar a pergunta chave: qual o presente objetivo de minha vida e ministério? A resposta deve nos conduzir de volta ao essencial. Paulo entendia que a finalidade da igreja era a glória de Deus e a sua prioridade era proclamar Cristo onde não havia sido anunciado. Estes são os grandes alvos. Ao longo da estrada estes alvos maiores se traduzem em objetivos temporários como o testemunho na família, o discipulado de um irmão, a colaboração no orfanato, a ajuda ao que está caído ao longo do caminho ou a busca por uma vida mais santa.

Neste caso é importante que nos perguntemos se as práticas associadas a estes objetivos estão no centro do palco da nossa vida. E para saber localizar o assunto no palco você pode seguir esta pista: o que consome o seu tempo, energia e dinheiro é o que está no centro do palco.

Gosto de observar missionários. Ouvi-los contando suas histórias e ver como agem nos campos. Há algum tempo, tivemos a oportunidade de trabalhar com aproximadamente 30 missionários que atuam em áreas desafiadoras do norte da Índia. Não tenho dúvida: os que conseguem equilibrar a competência e eficácia completam a carreira olhando com mais alegria para trás. Esses aproveitam a oportunidade para conhecer as estratégias, técnicas, política, língua, cultura e vida em equipe, mas ao mesmo tempo não se deixam amarrar com as questões “de meio”. Correm para a realização dos objetivos prioritários. Os que não equilibram tendem a se frustrar, seja por conhecimento sem prática ou prática sem conhecimento.

É preciso simplificar nossos pensamentos e dias para caminharmos bem, tendo em mente, de forma clara, qual o presente objetivo do Senhor para cada um de nós, na estrada que trilhamos. Pensemos em uma pequena equipe que chegou a Nova Deli para trabalhar com crianças dalit. Se pela manhã estudam a estratégia para o trabalho com as crianças abandonadas, preparam o material e conduzem o treinamento necessário, e pela tarde e noite estão nas ruas conversando com essas crianças e conduzindo-as a um abrigo - e a Jesus -, está clara e abençoada conciliação entre competência e eficácia. É simples assim.

Que o Senhor nos ajude a equilibrar sempre a balança em nossas vidas e nos livre de correr atrás do vento. Coloquemos no centro do palco aquilo que, para o Senhor, é mais valioso.

fonte: http://www.ronaldo.lidorio.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=156&Itemid=26

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

TIREM A MOEDA DO PEIXE E NÃO DA IGREJA E NEM DAS PESSOAS



Por Labieno Palmeira
“Tendo eles chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam o imposto das duas dracmas e perguntaram: não paga o vosso mestre as duas dracmas? Sim, respondeu ele. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Simão que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos? Respondendo Pedro: Dos estranhos, Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos. Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti. Mt 17:24-27.

Tenho meditado nesta passagem ultimamente, e, confesso, me surpreendi com o fato de que este texto está carregado de lições oportunas para o momento missionário que vivemos nos dias atuais.
Jesus e Pedro ao entrarem em Cafarnaum são cobrados a pagarem uma taxa de um imposto local, um imposto regional. Este imposto era para ser pago pelos estrangeiros, pessoas não pertencentes àquela cidade.
O interessante é que foi exatamente Pedro quem foi abordado pelos cobradores. Pedro respondeu positivamente aos cobradores dizendo que Jesus era responsável e iria sim arcar com as exigências da lei.
Só que antes mesmo de Pedro conversar com Jesus sobre este assunto, o próprio Cristo, surpreende a Pedro fazendo a este um questionamento. Jesus argui Pedro, indagando-o: “ os reis das nações cobram impostos dos filhos do reino ou dos estrangeiros?”. A resposta do discípulo foi: “ dos estrangeiros!”. A fala de Jesus então foi: “ chegará o dia em que eles (o povo eleito) não precisarão pagar tais impostos e nem qualquer outra taxa ou divida, eles ainda eram estrangeiros não só em Cafarnaum como também no reino deste mundo”.
Nesta caminhada sobre a terra é necessário pagar impostos e taxas para se caminhar, entrar e sair de cidades, trabalhar e servir pessoas. É preciso pagar para servir! É preciso pagar para abençoar! É preciso pagar para andar sobre a terra dos viventes! É preciso pagar para missionar! É preciso pagar para ser regente sobre a terra e dominar sobre as áreas de domínios que Deus entregou aos regentes do reino aqui na terra.
Nesta história factual do evangelho, Cristo não orientou Pedro a ir até o templo pedir o valor necessário para se pagar o imposto. Embora Jesus tinha um grupo de mulheres que o ajudava com seus bens, e, embora Judas Escariotes fosse o tesoureiro do quadro apostólico que andava com Jesus, nesta hora, Jesus não se utilizou de nenhum destes possíveis recursos para se levantar o valor necessário para suprir aquela necessidade.
O filho de Deus mandou o pescador Pedro PESCAR, dizendo a Pedro que o imposto seria pago com o primeiro peixe que fosse fisgado. Um pescador, um peixe fisgado, um problema resolvido! Devido a isso, jesus pôde entrar na cidade de Cafarnaum e o Evangelho teve continuidade.
Que benção! Este texto nos ensina a: (1) esperarmos o livramento e a solução por meio das pessoas certas, (2) utilizarmos os instrumentos apropriados, mesmo que sejam estes os mais absurdos possíveis (3) buscarmos estratégias adequadas, (4) o pagamento beneficia a pluralidade.

(1) esperarmos o livramento e a solução por meio das pessoas certas: Jesus se utilizou de Pedro, pescador, bom em fisgar peixe. É preciso entender que no reino de Deus sempre estamos interagindo com pessoas ao nosso derredor que possuem atribuições e qualificações que podem muito bem serem as ferramentas necessárias para o livramento de problemas que enfrentamos. Precisamos conhecer quem anda com a gente e respeitar suas qualificações. Pedro fez o que sabia fazer! Pedro pescou, apenas isso! Só que ele pescou porque Jesus o mandou pescar! Ele não pescou porque quis pescar, desta vez ele foi pescar porque Jesus quis que ele fizesse isso. Pedro não foi pescar muitos peixes, mas apenas um peixe. Talvez nós daríamos a Pedro uma ordem para se pegar muitos peixes afim de vende-los para que se reunisse as dracmas necessárias para a quitação do imposto. A igreja de hoje acha muito mais “correto” teologicamente lidar com muitos peixes para “negociar” a sua divida para com a cidade e a sociedade do que depender da fé e arriscar tudo para fisgar um peixe apenas e resolver tudo com este único peixe. As soluções dos problemas começam com gente. Achar a pessoa certa já é uma grande garantia de que o problema poderá ser resolvido. A tendência humana é querer focar na moeda dentro do peixe. Mas o primeiro foco deve ser colocado no pescador que fisga bem o peixe. O peixe poderia muito bem ter engolido a moeda que deve ter caído de algum barco, ou de algum navio que naufragou. Não se pode saber como a moeda foi parar no ventre do peixe, podendo ser até um milagre sobrenatural, onde Cristo fez pela sua palavra surgir do nada aquela moeda nas entranhas do peixe. Foque na pessoa certa e não no peixe! A pessoa certa ouve a “palavra” certa, pois Pedro creu na Palavra certa recebida de Jesus o seu Mestre. Pessoas que andam ao nosso lado que creem na Palavra certa recebida de Jesus, são pessoas que merecem o nosso foco. Há pessoas andando conosco que creem na Palavra do Senhor e são estas pessoas que precisam receber nosso foco e atenção. Pessoas certas com a PALAVRA certa fazem o que é certo! OBEDECEM por fé! A igreja precisa focar estas pessoas e investirem nelas para solucionarem os problemas comunitários e societários. Antes de se ter UM PEIXE foi necessário se ter UM PEDRO!
(2) utilizarmos os instrumentos apropriados, mesmo que sejam estes os mais absurdos possíveis:
Pagar imposto é algo normal e cotidiano! Viver se responsabilizando com o intuito de sempre se ter o recurso certo, na quantidade certa para no dia certo efetuar o pagamento do imposto, é algo com que todos procuram se ocupar em suas vidas. Cafarnaum fica próximo ao mar da galileia, portanto, uma cidade com vida pesqueira. Jesus se utiliza disso! Jesus aproveita o contexto da cidade, aproveita o potencial das pessoas que andam com ele. Que maravilha! Grandes lições missiológicas! Jesus, como sendo o segundo Adão, foi regente ao lidar com a questão do tributo. O regente reina e domina sobre tudo aquilo que Deus criou afim de fazer com que tudo aquilo que foi criado produza glória a Deus. O peixe vendido produz dinheiro, esta é a lógica do senso comum. Jesus faz o peixe trazer o dinheiro! Ele muda a ordem normal do processo. No reino de Deus precisamos estar preparados para sairmos da ordem normal dos processos que podem trazer soluções aos problemas. É preciso aproveitar as pessoas certas, se utilizar dos contextos das cidades, mas, ao mesmo tempo, se faz necessário estar aberto às possibilidades de agir com poder e domínio no processo que foge ao controle do senso comum. A igreja precisa equilibrar a logica com a não lógica. Os regentes do reino de Deus aqui na terra precisam equalizar a razão com a fé no sobrenatural. Lembrando que na dimensão do reino de Deus não existe normal e anormal, racional e irracional, natural e sobrenatural, espiritual e material, temporal e atemporal. Este é o principal desafio para os regentes, o de enxergar o reino sem limites, sem fronteiras, sem vida cíclica (repetitiva) e sem vida linear (passado, presente e futuro). Jesus ensina a Pedro e a nós que na hora de se pagar um imposto, podemos buscar recursos respeitando alguns princípios (mencionados no ponto numero 1 deste artigo), mas precisamos nos abrir para a possibilidade de mover a natureza para participar do processo. Afinal, o regente desde o inicio (Genesis 1,2 e 3), recebeu a credencial para dominar todos os reinos (por exemplo: reino vegetal, reino animal, reino material, reino espiritual).
(3) buscarmos estratégias adequadas:
Parece que hoje em dia é como na época de Jesus, continua sendo muito mais fácil esperar os recursos e as moedas oriundos dos peixes do que das igrejas ou das pessoas. Quem precisa de duas dracmas para pagar o imposto precisa crer que será mais fácil esperar a saída vinda dos peixes do que dos religiosos e da própria religião. Aliás, os comentaristas bíblicos sugerem que o imposto cobrado em Cafarnaum era o mesmo imposto para o templo (imposto religioso) mencionado em Êxodo 30:13 (siclo do Santuário). Os religiosos cobravam impostos, pois além do dizimo regular, as pessoas precisavam pagar impostos extras, como este cobrado em Cafarnaum. Seria completamente impossível esperar que o dinheiro para pagar o imposto viesse do templo pois era o próprio templo que cobrava tal imposto. Hoje não é diferente! Os templos pagam seus impostos (agua, luz, telefone, etc). Para isso, recebem dos membros das igrejas os dízimos, ofertas, donativos, campanhas, conferencias, shows, etc. A questão aqui não é essa. Jesus peregrinava com seus discípulos pregando o evangelho do reino e ensinando nas sinagogas e em diferentes lugares. Jesus (como segundo Adão estava regendo nas missões que ele recebera do Pai, para dominar e sujeitar tudo o que Deus criou), ele e seus discípulos estavam cumprindo as missões. E como missionários (Jesus e os seus discípulos), precisavam de recursos para expandirem o reino de Deus. E, como filhos do reino, como agentes do reino, não deveriam pagar impostos, pois os impostos só deveriam ser cobrados dos estrangeiros, daqueles que não eram do reino, (isto ficou claro no texto de Mateus no titulo deste artigo), mas Jesus, decidiu pagar o imposto para não causar escândalo aos líderes religiosos. Jesus decidiu exceder no dar e no prestar contas para não escandalizar! Cumprir as missões no reino é mais importante do que pagar ou não pagar impostos! Se é necessário pagar para não escandalizar os que cobram, então que se pague! Afinal o que se ganha com a pregação do evangelho do reino é muito maior do que com aquilo que se paga de imposto religioso. Em outras palavras: se para fazer missões é necessário se submeter aos altos custos que as igrejas exigem daqueles que pregam o evangelho do reino, então, que se submetam aqueles que fazem missões, que se submetam às exigências dos religiosos que cobram destes que são os regentes missionários.
(4) o pagamento beneficia a pluralidade:
Jesus disse: entrega por mim e por ti.
Benção!
Regente não subjuga gente, não explora o próximo.
Regente no reino de Deus busca pra si e para o semelhante. Compartilha o que ganha com o próximo. Regente não retém o que recebe, ao contrário, ele é pródigo no dar e no abençoar. Jesus mostrou o tempo todo nos evangelhos que um peixe ou poucos peixes e poucos pães são suficientes para alimentar multidões. Agora ele, Jesus, novamente repete o ensino dizendo que um peixe com um estáter dentro dele é suficiente para Ele e para o irmão. A cristandade da nossa geração está acostumada com grandes recursos e grandes quantidades de pessoas, em grandes ajuntamentos para justificar um grande Deus e uma grande obra. Incrivelmente existem pessoas e igrejas com muitos recursos financeiros e humanos fazendo muito pouco pela causa social e pelo trabalho missionário integral, isto em proporção a algumas pessoas e igrejas que não possuem tantos recursos humanos ou financeiros mas que, a bem da verdade, estão fazendo muito mais, e com um trabalho muito mais profundo e relevante. Poucas pessoas ou igrejas com pouco recurso fazem muito mais no reino e para o reino! No reino de Deus o importante não é a quantidade dos recursos, o que verdadeiramente importa é a motivação, o foco (que deve sempre ser a glória, como o apóstolo Paulo diz: quer comais, bebais ou façais qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus). Quando pagamos nossos impostos deveríamos pensar no próximo também. Se você tem suas dracmas para pagar seus impostos deveria se importar com o irmão que não tem para pagar o imposto dele também. Ainda mais quando este irmão está contigo no mesmo ministério e na mesma causa. Pedro estava com Jesus, largou tudo para andar com Jesus. Portanto, Jesus busca o recurso suficiente para suprir as suas necessidades como também as de Pedro.
Tem cristãos com recursos suficientes para pagar os seus impostos e até para pagar os impostos de outros irmãos que estão na mesma causa em que eles estão, mas não movem nada para que os outros tenham alivio. Tem cristãos pagando somente os seus impostos! E louvam a Deus porque foram agraciados com os recursos para pagarem os seus impostos e ainda sobraram recursos. Esquecendo eles que ao lado deles, bem próximos deles, existem irmãos e famílias inteiras sofrendo com a falta de recursos para entrarem em suas Cafarnauns, para continuarem as missões que receberam de Deus como regentes no Seu reino.
Jesus nos ensina que quando fazemos as missões no reino de Deus, precisamos ser ousados na fé e na busca de recursos, e isso, para nós e para o próximo que caminha conosco na mesma missão. Quem caminha junto na missão socorre um ao outro sempre! Missionário investe em missionário! Regentes missionários socorrem Regentes missionários!

CONCLUSÃO:

Chegam momentos na vida cristã e missionária que pensamos que existem mais moedas (recursos) nos peixes do que na igreja e nas pessoas. A grande inclinação dos missionários é ficar esperando os recursos virem das igrejas (instituições) e das pessoas (crentes), este texto, nos exorta a dependermos da direção de Deus. Os recursos virão sempre da Palavra dada e orientada do Senhor Jesus. Devemos confiar unicamente na Palavra que vem da boca dele dizendo a nós aonde devemos buscar os recursos. A Palavra dele poderá nos orientar a buscar os recursos em alguma igreja Instituição ou denominação, ou ainda, a Palavra do Senhor poderá nos conduzir a algum homem cristão, ou a alguma mulher cristã, mas, devemos nos abrir para as possibilidades absurdas de que a Palavra de Deus nos direcione aos peixes. O importante é a continuidade da missão e das missões. Quando a igreja instituição retém o estáter, Deus utiliza os peixes. Quando as pessoas que possuem recursos interrompem a contribuição, por discernirem ser justo ou não investirem, Deus manda alguém que entende de peixe fisgar um peixe apenas para que a missão continue.
Louvado seja Deus, porque estamos aprendendo na multiforme sabedoria de Deus a dar continuidade a obra missionária mundial, com poucos recursos, e oriundos de igrejas, de pessoas e de peixes. A missão continua! Entremos em nossa Cafarnaum! Valeu Pedro! Obrigado Senhor pelo Peixinho que engoliu o estater e deu continuidade à missão! Os homens andam na terra e os peixes nadam nos rios e mares e tudo isso para o louvor da sua glória! Com homens na terra e peixes nas aguas Deus faz as missões acontecerem no seu Reino! Que projeto maravilhoso! Deus nos abençoe!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Conselhos para um missionário


por: Ronaldo Lidório

Algumas semanas atrás a revista POVOS pediu que eu escrevesse 10 conselhos aos missionários. Partilho abaixo, por entender que se aplicam a todos os que servem a Deus.

1. Cuide de sua vida com Deus. Cuide bem de sua vida pessoal, especialmente de sua vida com Deus. Não negocie os momentos devocionais diários, mesmo debaixo das pressões do campo
 e do ministério.

2. Priorize a família. Não é segredo que a família é a instituição mais atacada em nossos dias. Priorizá-la tem sido uma ordem amplamente repetida, porém pouco praticada. De forma simples, priorizar a família é dedicar tempo e atenção à mesma.

3. Tenha um modelo de descanso. Normalmente a agenda missionária não é linear, portanto, poucos conseguem desenvolver uma rotina semanal. Se retirar um dia de descanso por semana não é um modelo viável em seu caso, use outros. O modelo de Cristo era de se engajar intensamente com o ministério e depois desengajar por um tempo para se refazer. É necessário ter um modelo de descanso.

4. Mantenha relacionamentos saudáveis. O relacionamento é possivelmente a melhor ferramenta de trabalho no universo missionário. Não se envolva com conflitos desnecessários e tenha em mente que manter um bom relacionamento com sua equipe e com o grupo-alvo determinará, em boa medida, o rumo do seu ministério.

5. Siga sua visão e chamado. Envolver-se com tudo é a melhor receita para nada concluir. Tenha uma visão clara e um ministério definido. Projete o que você, de acordo com sua visão e chamado, gostaria de ver concluído em 5 ou 10 anos.

6. Organize-se. Tenha um projeto ministerial bem definido e, preferencialmente, por escrito. Tenha clareza de alvos, estratégias e atividades. Liste as atividades em sua agenda, separando-as por mês e por semana. Faça listas diárias - se for de ajuda - e revise, sempre, a relação do que precisa ser feito.

7. Administre as críticas. A única forma de não ser criticado é nada fazer. Portanto, saber administrá-las é essencial para o missionário. Algumas dicas: (a) Não a jogue fora. Mesmo a que é formulada ou comunicada carnalmente pode conter uma verdade sobre a sua vida; (b) Não durma com a crítica. Após avaliá-la perante o Senhor, use o que for proveitoso e se desfaça dela. A crítica guardada por períodos prolongados desenvolve a capacidade de gerar profunda ansiedade na alma; (c) Não se torne um crítico. As pessoas mais críticas que conheço foram muito criticadas no passado.

8. Não faça de sua casa um lugar de refúgio. Aprender uma língua e uma cultura, plantar uma igreja ou desenvolver um projeto social, requer relacionamento com o povo local. Gaste mais tempo com o povo do que com sua equipe. Limite o tempo no computador e tenha uma rotina diária fora de casa.

9. Trabalhe enquanto é dia. Missionários tendem a deixar seus campos sem aviso prévio. As causas vão desde enfermidades, vistos, educação dos filhos, até outros fatores imprevisíveis. O tempo que você tem no lugar que Deus o colocou é, portanto, preciosíssimo. Use-o com sabedoria e intensidade.

10. Mantenha seu coração ensinável. Sempre temos muito a aprender e, às vezes, com a pessoa mais improvável. Leia, converse, participe de cursos e encontros, reflita sobre o que vê e ouve. Um coração ensinável aprende mais de Deus e não comete duas vezes o mesmo erro.

fonte: http://www.ronaldo.lidorio.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=163&Itemid=26

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Coming Home



A father waits upon a son
A mother prays for his return
I just called to see
If you still have a place for me
We know that like took us apart
But you're still within my heart
I go to sleep and feel your spirit next to me
I'll make it home again
I pray you'll fall in love again
Just say you'll entertain the possibility
I learned enough from my mistakes
Learned from all I didn't say
Won't you wait for me

It may be long to get me there
It feels like I've been everywhere
But someday I'll be coming home
Round and round the world will spin
Oh, the circle never ends
So you know that I'll be coming home

We fight to stay alive
But somebody's got to die
It's so strange to me
A new year, a new enemy
Another soldier gone to war
Another story told before
Now it's told again
It seems the wars will never end
But we'll make it home again
Back where we belong again
We're holding on to when
We used to dare to dream
We pray we live to see
Another day in history
Yes we still believe

It may be long to get me there
It feels like I've been everywhere
But someday I'll be coming home
Round and round the world will spin
Oh, the circle never ends
So you know that I'll be coming home

I'm coming, I'm coming, I'm coming?
You know that I'll be coming home

It may be long to get me there
It feels like I've been everywhere
But someday I'll be coming home
Round and round the world will spin
Oh, the circle never ends
So you know that I'll be coming home

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Eu sem Ele e com Ele!



Eu não merecia nada e Ele me deu tudo!

Eu não tinha rumo nenhum e Ele me deu o Caminho!

Eu vivia a mentira e Ele me mostrou a verdade!

Eu vivia triste e isolado e Ele me ofereceu a verdadeira amizade e filiação!

Eu merecia ser condenado e Ele me ofereceu a misericórdia e a graça na Salvação!

Eu seguia para a morte e Ele me concedeu a vida eterna!

Eu era apenas um habitante dessa terra e Ele me trouxe para o Reino Celestial!  

Eu era parte da Criação sem Ele e agora sou um filho do Pai Celeste com Ele!

Esse é Jesus Cristo.

por: Leonardo Felipe

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Eu Sou!

Eu sou aquele menino solitário...

Eu sou aquele menino tímido...

Eu sou aquele menino que se encanta com música, teatro e cinema...

Eu sou aquele menino pequeno, o menor da sala e da escola...

Eu sou aquele pequeno menino que gostavam de bater e de perseguir...

Eu sou aquele menino carente sedento de atenção...

Eu sou aquele menino triste de receber comparação...

Eu sou aquele menino que ama carinho e afeição...

Eu sou aquele menino que se deslumbra com a natureza e os bichos...

Eu sou aquele menino que adora levar flores para sua amada mãe...

Eu sou aquele menino que gosta muito de conversar ou simplesmente ouvir o conversar...

Eu sou aquele menino que sonha conhecer lugares como um desbravador...

Eu sou aquele menino que acorda mal humorado e nervoso em alguns dias...

Eu sou aquele menino que gosta de futebol e torce pelo time do coração...

Eu sou aquele menino que admira fotografia e se atreve em fazê-las...

Eu sou aquele menino que gosta de ler e de curioso se expressa no escrever...

Eu sou aquele menino que sente saudade de pessoas e lugares que passaram em sua vida...

Eu sou aquele menino que acredita em muitas coisas tanto quanto tem duvidas em outras coisas...

Eu sou aquele menino que se apega fácil as pessoas...

Eu sou aquele menino que...

Eu sou aquele menino... às vezes eu ainda sou aquele menino!

por Leonardo Felipe



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Zaque - Antes e Depois do Reino de Deus


por: Rev. Labieno Palmeira
Zaqueu, antes do reino de Deus:
ü Um homem trabalhador que tira vantagens enquanto trabalha!
ü Um cidadão que se preocupa consigo e com seu próprio patrimônio!
ü Um individuo que dominava as pessoas e as usavam em seu próprio beneficio!
ü Um ser humano com posses, com trabalho, com propriedades e patrimônios! Prospero mas com sentimentos de um existencialismo vazio e anelando algo que as suas posses não conseguiam comprar!
ü Um senhor rico de tudo e manipulador de pessoas, mas cativo de suas próprias riquezas e de uma consciência minada pelas lembranças de pessoas que sofriam por sua causa!
ü Uma pessoa confusa, sem norte e sem sul, e completamente dependente do oportunismo de um ganho fácil e rápido para se manter socialmente numa posição de destaque! Uma vida pseudo-social e pseudo-estabilizada!
ü Um contador e um catalisador de riquezas e valores! Especialista em finanças e totalmente ignorante em se tratando de riquezas e valores humanos!
ü Este homem antes do reino é como qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo e de qualquer cultura! Ele expressa e explicita o que todos são e fazem! São pessoas que dominam pessoas e sujeitam-nas  às suas ambições, seguindo assim, às vãs filosofias que ensinam: Alguns nascem para dominar e outros nascem para serem dominados!
ü Zaqueu antes do reino se parece com pessoas que estão dentro e fora da Igreja e da religiosidade. Acha-se deste estereótipo zaqueano em casas, clãs, tribos, etnias, nações, governos, impérios, partidos políticos, religiões, empresas, ricos e pobres.
ü Sem o reino de Deus os “zaqueus” se propagam e se configuram dia a dia em toda e qualquer pessoa, e isso, de um modo confortável e do tamanho exato de cada pessoa! Lembrando que há produtos inflamáveis espiritualmente (pecados) e socialmente (injustiças sociais e desigualdades integrais) que alimentam com muito mais força estes zaqueus que estão presentes como labaredas em tantas pessoas! O fogo se alastra!
ü Gente sem a Basiléia (reino) de Deus é gente vulnerável! Vulnerável porque pensam que são donas de alguma riqueza! Sentem-se detentoras de algum poder sobre outras pessoas, um destes poderes que mais corrompem as pessoas, acima do poder financeiro, é o poder do SABER – CONHECIMENTO. Quando alguém sabe se utilizar deste poder ele se torna rico e prospero em todas as áreas! Muitos se estribam neste poder para dominar e sujeitar o próximo!
ü Zaqueu fora do reino fica fora também da sanidade e da lucidez social, espiritual, econômica, religiosa e humana!
ü Zaqueu sem reino é Zaqueu sem causa!
ü Povo sem reino de Deus é povo que excede no ganhar, no extorquir, no acumular, no ultrapassar os limites de tudo aquilo que é humano (porque Deus criou o ser humano). O ser desumano é criação do próprio homem na sua queda em associação com o Diabo e as suas hostes espirituais do mal. Sem o reino de Deus o ser desumano desumaniza-se cada vez mais! E a figura do Zaqueu sem Reino mostra esta desumanização de uma forma muito clara!
Zaqueu, depois do reino de Deus:
`  Volta à condição humana! Volta ao plano original de Genesis 1,2 e 3! Volta a ser regente do reino de Deus entendendo a sua missão de governar, sujeitar, guardar, cultivar e dominar sobre tudo o que foi criado por Deus! Aprende que esta regência não inclui o seu semelhante, compreende que o ser humano é regente como ele, portanto, ser humano não domina e nem sujeita ser humano!
`  Transforma sua cidadania desumana em cidadania humana!
`  Interage socialmente como sendo um individuo que precisa do ALTER (outro social) para fazer com que a sociedade entenda o “contrato social” que todos legitimaram não como um contrato de poder e força política com deveres e direitos, mas, como um contrato onde o maior é aquele que serve e mais bem aventurado é dar do que receber!
`  A vida dentro do reino que Zaqueu experimenta é aquela que faz com que O OUTRO (Jesus) entre na sua casa e dite os valores do reino e as suas prioridades! E o desumano Zaqueu se deixa ser humano e sai da sua casa amando gente e servindo gente!
`  Zaqueu depois do Reino é alguém que se deixou mudar por um nazareno e Galileu que não tinha nem ouro e nem prata! Deixou-se levar por alguém que era pobre e não podia ser extorquido por Zaqueu porque ele (Jesus) não tinha aonde repousar sua cabeça!
`  A Basiléia (reino) dentro de Zaqueu e Zaqueu dentro da Basiléia se fundem no ser humano de tal forma que a partir de agora, este Zaqueu, se torna e se entende como nova criatura, novo ser, novo humano, e este, entende gente, ama gente, cuida de gente, serve gente, edifica gente, se dá por gente, não sujeita os outros a si, mas se sujeita aos outros!
`  Este homem depois do reino poderia ter devolvido apenas aquilo que tirou ilegalmente das pessoas. Mas, o efeito do reino em sua vida é tão intenso e profundo, que ele decide devolver mais do que era necessário, ele excede!
`  Zaqueu não pensou na estabilidade de si e da sua casa, antes disso, para ele é mais prazeroso e louvável ser instrumento de Deus para edificar a casa do outro!
`  Tem o caráter diametralmente oposto aos valores morais do reino deste mundo! É gente  que contradiz o mundo! É crente que contradiz a crendice! É cristão que contradiz a cristandade!
`  Passa a romper com a rede “normal” das forças e poderes que estragam a humanidade e a espiritualidade sobre a terra! Zaqueu rompe com o sistema! Zaqueu estanca a hemorragia da corrupção que insistia em vazar e enfraquecer lares e famílias inteiras! Zaqueu comprovou e legitimou o ensino de Jesus Cristo quando disse que ninguém pode servir a dois senhores, portanto, Zaqueu se aborreceu do reino deste mundo e decidiu ser levado para o reino do filho do amor de Deus!
`  O Zaqueu do reino de Deus entendeu que na economia deste reino o dinheiro não pode dominar ninguém! No reino de Deus a regência sobre o dinheiro não é obte-lo das pessoas, ao contrario disso, é entregá-lo em amor e liberalidade aos outros! Simplesmente pratica o ensino do reino dado por Jesus que disse: Quando emprestar dinheiro não empresta a quem você sabe que pode te restituir e te devolver! Que mérito teria em você fazer isso e desta forma? Faça o seguinte: Empreste a quem você sabe que não tem condições alguma de pagá-lo e devolver! Pois quem está no reino entende que todo o dinheiro que possui não pertence a si, é simplesmente um dinheiro que pertence ao Rei e por isso se Ele disse que é para emprestar a quem não pode devolver então Ele é o único responsável pelo dinheiro. O regente no reino simplesmente obedece!
`  No reino de Deus Zaqueu tem causa! A causa não é voltada pra si e não tem o “eu” em primeiro lugar e não existe o pronome possessivo “meu”! Quem tem causa no reino de Deus entende que os pronomes de qualquer causa de um regente do reino são: “tu e teu”! A causa é para o outro!
`  O Zaqueu antes do Reino se achava rei! O Zaqueu depois do reino se vê como regente do Rei! Como rei ele errou tudo, mas como regente ele acerta e glorifica a Deus!
Queridos irmãos e irmãs em Cristo, tenho aprendido algo nestes últimos dias que me conforta o coração!
Tenho oxigenado minha vida com o fato de que há pessoas maravilhosas que Deus coloca em nossas vidas para nos afinar, aprimorar, moldar, quebrantar, amadurecer e fazer-nos abundantes em frutos! Tem pessoas que são colocadas em nossas vidas por alguns pequenos momentos e por algumas variadas circunstancias, mas, logo nos distanciamos delas! Existem outras que na realidade nunca estiveram verdadeiramente conosco, estavam próximas e até fomos abençoados por elas, mas descobrimos depois que elas não estavam com a gente, elas estavam com algo em que a gente estava envolvido. No instante em que deixamos aquilo que estávamos envolvidos e era o nosso ponto comum, elas nos deixaram. Preferiram ficar com aquilo que nos eram comuns do que ficarem conosco! Aprendemos com todos e precisamos apreciar a todos!
As pessoas são bênçãos de Deus para nossas vidas!
Tenho aprendido que não importa quem está conosco, quem não está conosco, quem nos abençoa ou quem retém a benção ou desvia a benção de nossas vidas, não importa a relação que temos com toda e qualquer pessoa, o que realmente interessa é que todas elas são trazidas por Deus às nossas vidas para transformarmos tudo o que pode acontecer entre nós em glória a Deus e em bem estar e edificação para nossas vidas!
Aproveito para dizer a você que recebeu esta carta que você é um maravilhoso recurso didático de Deus para minha vida! Digo isso a todos os que me amam, a todos que me odeiam, a todos que me abençoaram e a todos que impediram as bênçãos que Deus colocou em suas mãos para que chegassem a mim, aos meus filhos, à minha casa, ao Pronasce e ao nosso ministério!
A historia de Zaqueu antes e depois do reino tem falado ao meu coração, pois vejo que podemos aprender com os dois Zaqueus! Todos nós temos uma identificação de berço e de historia com o primeiro Zaqueu!(O Salmo 51 confirma isso). Mas, graças a Deus, as pessoas mudam, Deus gera novas criaturas, e podemos melhorar, podemos interagir com pessoas maravilhosas, sendo, por meio delas, aperfeiçoados até chegarmos à estatura do varão perfeito que é Cristo Jesus, pois Ele, lidou o tempo todo  com pessoas maravilhosas! Pessoas que o amaram e o traíram!
Eu oro: SENHOR ME FAÇA VER EM TODOS OS HOMENS E EM TODAS AS PESSOAS DA TERRA A MARAVILHA QUE ELAS SÃO DIANTE DO TEU REINO! SENHOR TIRA DE MIM OS OLHOS QUE NÃO CONSEGUEM VER MARAVILHAS NAS VIDAS DOS OUTROS, NÃO IMPORTA O QUE ELES SÃO E NEM O QUE ELES FAÇAM OU DEIXEM DE FAZER! SENHOR OBRIGADO POR ME DAR O PRIVILEGIO DE CONVIVER COM GENTE! OBRIGADO POR ME USAR PARA SER EU A MARAVILHA DE TANTAS OUTRAS PESSOAS! ERRANDO OU ACERTANDO NA CONCEPÇAO DELAS EM RELAÇAO A MIM, EU TE LOUVO! PORQUE QUANDO EU ERRO NA CONCEPÇAO DELAS ESTES MEUS ERROS SÃO ENSINOS PARA SUAS VIDAS! ASSIM COMO SÃO OS ERROS DELAS NA MINHA CONCEPÇAO PARA A MINHA PESSOA! EM NOME DE JESUS, O MARAVILHOSO POR EXCELENCIA! AMEM!
Deus abençoe a todos os maravilhosos Zaqueus! Sem nos importarmos se estão dentro ou fora do reino!
Um osculo santo de alguém que se oxigena com gente!
Pelo nazareno,

O amor prova a espiritualidade e conduz à missão



por: Ronaldo Lidório

Nestes dias tenho pensado sobre os essenciais do cristianismo. Estou convicto que os periféricos da vida e ministério podem facilmente nos desviar de praticarmos um cristianismo bíblico e simples, fazendo com que nossa atenção, energias, dons e relacionamentos se desgastem nas notas de rodapé de uma religiosidade quase vazia. Há diversos essenciais na vida cristã. Um deles é o amor.

Preocupo-me quando apregoamos uma verdadeira espiritualidade, mas não amamos. Preocupo-me quando a Igreja não consegue chorar com os que choram ou quando nossos relacionamentos vão se tornando cada vez menos sinceros e mais utilitários. Preocupo-me quando o mundo trata o caído com mais graça e misericórdia do que o povo de Deus. Preocupo-me quando a Igreja passa a definir sua experiência de fé a partir de seus ajuntamentos solenes e não dos seus relacionamentos diários. Preocupo-me quando não amamos.

Ao escrever a Primeira Carta aos Coríntios, Paulo reserva os capítulos 12 e 14 para expor sobre os dons espirituais, pois é um assunto de relevância e necessidade. Entre os dois capítulos sobre dons espirituais Paulo enxerta um dos textos mais definidores da nossa fé -- o capítulo 13 --, que nos apresenta a centralidade do amor na vivência cristã. Ele nos mostra a possibilidade de sermos uma Igreja com aparência, forma e discurso espiritual, mas de fato carnal; com a presença de dons espirituais, mas sem o essencial do cristianismo. A mensagem nesse capítulo é clara: o amor é superior aos dons.

Sempre leio com temor os três primeiros versículos deste capítulo, pois confrontam minha vida ao afirmar que, mesmo que tivermos dons espirituais, tamanha fé ou praticarmos toda sorte de ações sociais, sem amor nada haverá que, no fim, possa ser aproveitado. Nem sermões bem preparados ou liturgias cúlticas. Nem ações missionárias ou grandes projetos sociais para ajudar o necessitado. O amor, aqui exposto, não é apenas superior aos dons, mas também um marcador de nossa identidade cristã. Somos dele quando buscamos amar.

Isto significa que minha vida em Cristo não pode ser definida puramente pelos dogmas que entendo e aceito nem pelas experiências de espiritualidade que vivencio. Sem amor serão vazios de significado. Minha vida em Cristo é definida pela presença do amor que não apenas é essencial, mas também automanifesto. Para nosso temor e tremor, o Espírito descreve neste capítulo que o amor é perceptível, ou seja, ele deixa marcas. O amor é prático, notável e visível. Ele é “paciente”, esperando pela hora oportuna para o outro. É “benigno”, fazendo com que a dor do vizinho seja também a nossa. Não “arde em ciúmes”, portanto evita comparações e se nega a criticar o próximo. Torna-se, assim, impossível amar sem que as marcas do amor sejam vistas pelos que passam pela mesma estrada que nós.

Precisamos amar o próximo o mínimo para não criticá-lo. Este próximo, o “outro”, diferente de nós, é nossa base de testes, o cenário onde devemos aprender a praticar o ato mais sublime que vem do Pai, e somente dele.

Tenho percebido que o amor prova a espiritualidade. Somos naturalmente seres construtores de máscaras, que tendem a esconder aquilo que é carnal e vergonhoso. Assim, usando máscaras bem elaboradas, podemos falar sobre fé sem de fato crer; pregar contra o pecado sem intimamente repudiá-lo; expor sobre o amor e na manhã seguinte prejudicar o irmão. Um mecanismo que claramente prova nossa espiritualidade são os atos de amor.

O oposto do amor também é evidente. Gera tolerância com nossas próprias limitações e fraquezas, e intolerância com o próximo. Dessa forma, se alguém conversa com formalidade, é antipático; se nós o fazemos, somos respeitosos. Se alguém brada ao pregar, está sendo artificial; se nós bradamos, é sinal de espiritualidade. Se alguém não faz, é preguiçoso; se nós não fazemos, somos ocupados. Se alguém contrai uma dívida, é irresponsável; se nós nos endividamos, é porque recebemos pouco. Se alguém discorda, é soberbo; se nós discordamos, somos criteriosos. Se alguém critica, o faz por estar tomado de inveja ou ciúmes; se nós criticamos, estamos sendo zelosos. Se alguém repete um sermão, está sendo desleixado; se nós o fazemos, Deus quer falar novamente ao seu povo. Se alguém erra, era de se esperar; se nós erramos, errar é humano. Se alguém cai, suas atitudes carnais já indicavam isto; se nós caímos, o inimigo preparou-nos uma armadilha. Se alguém brinca, está sendo mundano; se nós brincamos, somos informais. Se alguém ofende no falar, é descontrolado; se nós o fazemos, somos sinceros. Sim, a ausência de amor falsifica a vida cristã e um dos sinais é a grave intolerância com o próximo e a permissividade conosco.

Em 1 Coríntios 13, do versículo 9 em diante, vemos que o amor é um aprendizado. Eu era menino e agora sou homem; via de forma obscura, agora vejo claramente. Ou seja, amar é um processo, uma caminhada. Não nascemos amando.

Para amarmos devemos pedir que Deus nos ajude. No Salmo 119 o salmista afirma que andará nos caminhos do Senhor quando ele “dilatar” o seu coração. Precisamos de corações dilatados, abertos, prontos para amar. Peçamos ao Pai, pensando nos cenários diários de nossas vidas: “Ensina-me a amar”. Para investirmos na jornada do amor é preciso nos desapegar daquilo que é incompatível com o amor. John Edwards, em seu livro “Afeto Religioso”, fala sobre a incompatibilidade do amor com as palavras de agressão. Devemos nos desapegar daquilo que pretere e cerceia o amor em nossa vida. Jamais amaremos enquanto nossa agenda diária estiver repleta de competitividade, ciúme, falso zelo, comparações desnecessárias, soberba e agressão.

O amor também nos conduz à missão. Certamente, somos todos capazes de apregoar os fundamentos da missão e expor com clareza o conceito de sua integralidade. Porém, sem amar, continuaremos passando ao largo do caído ao longo do caminho, que sofre, e virando o rosto aos que ainda não ouviram de Jesus. Assim, seremos cristãos de gabinete escrevendo sobre o que não experimentamos, ou cristãos pragmáticos fazendo o que é certo pelos motivos errados, sem amor.

Lutero, citado por Mahaney em seu livro “Glory do Glory”, afirma: “Esta vida, portanto, não é justiça, mas crescimento em justiça. Não é saúde, mas cura. Não é ser, mas se tornar. Não é descansar, mas exercitar. Ainda não somos o que seremos, mas estamos crescendo nesta direção. O processo ainda não está terminado, mas vai prosseguindo. Não é o final, mas é a estrada. Todas as coisas ainda não brilham em glória, mas todas as coisas vão sendo purificadas”.

Após pregar sobre os essenciais da nossa fé na Igreja Konkomba de Gana em 1999, um dos crentes me procurou após o culto perguntando: “Por onde devo começar?” Fui para casa pensando nesta pergunta. No dia seguinte o encontrei embaixo de uma árvore rodeado por amigos em alegre conversa. Sentei-me ao seu lado e sussurrei-lhe ao ouvido: “Comece procurando aquele com o qual você foi intolerante e não amou como Cristo”. Pensativo, ele se levantou e saiu caminhando a passos curtos e lentos. Santa caminhada. Nada fácil, mas alegra o coração daquele que é amor.

• Ronaldo Lidório, doutor em antropologia, é missionário da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais e da Missão AMEM. É organizador de A Questão Indígena -- Uma Luta Desigual.

fonte: http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/316/o-amor-prova-a-espiritualidade-e-conduz-a-missao

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Diante do Senhor – O Religioso! (João 3:1-15)



Da Religiosidade Morta ao Novo nascimento em Cristo
por: Leonardo Felipe

Em algum momento da vida ficamos ou ficaremos, diante do Senhor!
Em algum dia ficamos ou ficaremos, frente a frente com o Senhor!
Em algum instante de nossa vida fomos levados ou procuramos a presença do Senhor!
Em algum lugar no passado ou no futuro nos encontraremos com o Senhor!
Esse momento, esse encontro, esse instante foi ou será decisivo, marcante e transformador em nossas vidas! Ou não!
Esse momento foi ou será um período curto ou longo onde nossas vidas são repassadas, revistas e avaliadas.
É nesse encontro que se inicia um processo de Transformação, Restauração e Regeneração.
A Bíblia toda apresenta vários momentos como esse e em especial os evangelhos (Exemplos: A Mulher Samaritana de João 4; O Endemoninhado de Marcos 5; O Publicano Zaque de Lucas 19; O Jovem Rico de Mateus 19). E todos esses casos estiveram diante do Senhor! Todos tomaram uma decisão. Seguir o Senhor? Ou Seguir suas vidas como queriam ou como o mundo oferecia?
Hoje vamos refletir sobre um desses encontros. O encontro de um Importante e reconhecido Religioso. Uma autoridade, um Fariseu renomado ficou Diante do Senhor. Seu nome era Nicodemos

Os Fariseus
Havia uma grande expectativa dos Judeus para o surgimento de um Messias que uniria a nação, formaria um exercito e libertaria Israel do Império romano. Os Judeus esperavam um Messias como Davi, um Governante e um Rei. Nesse contexto de exploração surge um grupo religioso em Israel entre os judeus, os Fariseus. Esse grupo acreditava e vivia com a convicção que poderiam e deveriam salvar a si mesmos ou alcançar o favor de Deus e suas bênçãos quando obedecessem perfeitamente à lei de Moisés e a série de regulamentos estabelecidos pelos homens. E Nicodemos pertencia a esse partido da salvação pelas obras.
Quando Jesus encontra Nicodemos ele estava provavelmente no primeiro ano dos três anos de seu ministério. Estava em Jerusalém para celebrar a festa da Páscoa. A fama e os boatos de Jesus já havia se espalhado pela sociedade judaica.

O Encontro “À Noite” (V.1-2)
Dizem que Nicodemos foi até Jesus nesse horário por ser um hipócrita e tinha más intenções, como outros Fariseus demonstraram ao longo do ministério de Jesus. Alguns afirmam que Nicodemos foi se encontrar com Jesus nesse horário para não ser visto.  Outros dizem que Nicodemos procurou Jesus nesse horário para encontrá-lo sozinho e assim ter mais tranquilidade no que queria conversar. Se olharmos com calma a narrativa completa de João (Ex.: Jo.7:50-51) veremos um Homem com um coração aberto. Um homem de coração sedento por um encontro com Deus. 
O Diálogo (V.3-11)
A partir desse momento se inicia um Diálogo entre Nicodemos e Jesus. Diante do Senhor o Religioso inicia uma conversa. Nicodemos inicia a conversa com muita formalidade e distância. Ele sozinho diante de Jesus fala: “Rabi, Sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus;...” primeiro ele esta sozinho, porque dizer “Sabemos”, parece àquelas orações feitas em público para demonstrar espiritualidade.
Hendriksen lembra que Nicodemos não faz nenhuma pergunta. No entanto, Jesus lhe responde, pois Jesus conseguia ler a pergunta que se encontrava profundamente sepultada no coração desse fariseu. V.3 “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” Hendriksen salienta também que com base na resposta de Cristo, podemos seguramente presumir que a pergunta escondida no coração de Nicodemos era semelhante à que se encontra em Mateus 19:16 ("E eis que alguém, aproximando-se, lhe perguntou: Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?").
Durante o diálogo Nicodemos faz repetidamente a mesma pergunta: Como pode... nascer de novo? Pode nascer segunda vez? Como pode suceder isto? E Jesus faz a mesma afirmação mais duas vezes V.5 e V.7.
John Stott explica afirma que Jesus deve ter impressionado Nicodemos ao dizer-lhe que deveria nascer de novo. Mas, o que Jesus quis dizer? John Stott explica que obviamente Jesus não estava se referindo a um segundo nascimento físico ou a um ato de auto-reforma. Então como esse nascimento acontece?  De determinado ponto de vista, esse nascimento é inteiramente obra de Deus. Pois, ninguém jamais deu à luz a si mesmo. Portanto, o novo nascimento é um nascimento “do alto”, um nascimento “do Espírito Santo”. De nossa parte, no entanto, temos de nos arrepender e crer. Nicodemos não poderia evitar o batismo de arrependimento de João. Foi isso, que Jesus quis dizer com ser “nascido da água” (V.5). Nicodemos deveria então crer, colocando sua confiança em Jesus, o Messias, que era o Salvador de que necessitava.
O Discurso (V.12-15)
Em seguida Nicodemos faz um silêncio e Cristo inicia um discurso. Diante da insistente dúvida de Nicodemos, Cristo passa a explicar o que estava diante dos olhos do Fariseu.  Cristo volta ao Antigo Testamento no livro de Números capítulo 21 para explicar como alguém pode ser salvo e como podemos permanecer no Reino de Deus. Durante a jornada de Israel, do Monte Sinai até a planície de Moabe, o povo de Deus se rebelou novamente. O povo falava contra Deus e Moisés, dizendo: “Por que nos fizeram subir do Egito, para morrermos neste deserto, onde não há nem pão nem água?” Então Deus enviou serpentes venenosas no meio do povo, matando muitos. Quando o povo confessou seus pecados, Moisés orou por eles. “e Disse o Senhor a Moisés: Faça uma serpente abrasadora, ponha-a sobre uma haste, e será que todo mordido que a olhar viverá. Fez Moisés uma serpente de bronze e a pôs sobre uma haste; sendo alguém mordido por alguma serpente, se olhava para a serpente de bronze sarava” (Nm.21:8-9).
Hendriksen diz que as palavras de João 3:14: “Assim como Moisés... do mesmo modo deve o Filho do homem” abre espaço para fazermos alguns pontos de comparação:
1.    Em ambos os casos (Números 21 e João3), a morte é apresentada como uma punição pelo pecado.
2.    Em ambos os casos (Serpente de bronze levantada e Filho do homem levantado) é o próprio Deus, em sua graça soberana, que provê (nos dá) o remédio.
3.    Em ambos os casos, este remédio consiste de algo (Serpente) ou alguém (Filho do Homem) sendo levantado à vista do público.
4.    Em ambos os Casos, aqueles que, com um coração crente, olham para aquilo (ou Aquele) que foi levantado são curados.
Nesse discurso explicativo de Cristo o “Levantamento do Filho do Homem” (Ele mesmo) é apresentado com o único remédio possível para o pecado, pois somente dessa maneira as exigências da santidade e da justiça de Deus podem ser satisfeitas.  
Essa parte do discurso de Jesus termina com uma ressalva. Apesar de Cristo ser levantado diante de todos, Ele não salva a todos. No verso 15 Lemos, “para que todo o que Nele crê tenha a vida eterna.” Somente os que olharem para Cristo com humildade, arrependimento e fé, obtêm a vida eterna.



Algumas aplicações podem ser feitas a partir dessa passagem.
1ª Cristo recebe a todos com Amor
Cristo recebe a todos que o procura:
- Mesmo quando estamos com medo;
- Mesmo quando o buscamos escondido das outras pessoas;
- Mesmo quando estamos com vergonha;
- Mesmo quando estamos fugindo;
- Mesmo quando estamos desesperados;
- Mesmo quando estamos perdidos.
Cristo recebe a todos com Amor. Cristo fica diante de nós e nos traz (como disse Pedro) “Palavras de vida eterna!” Cristo fica diante de nós e nos traz refrigério para nossas almas feridas, cansadas e angustiadas. Cristo fica diante de nós e nos mostra, acima de tudo o caminho da salvação – que é Ele mesmo! Que é Crer e Confessar que Ele é nosso único e suficiente salvador! Portanto, nossa primeira aplicação é que precisamos sempre procurar o Rei dos Reis, o Cordeiro de Deus – Cristo Jesus e ali onde estivermos Diante do Senhor ouvi-lo, obedecê-lo, segui-lo e permanecer Nele.

2ª Só encontramos salvação, vida eterna e reino de Deus em Cristo.
Só encontramos Salvação, Vida Eterna e Reino de Deus quando nascemos de novo, quando nascemos da água e do Espírito Santo, quando nascemos do Alto. Ou seja, quando nos arrependemos e cremos em Jesus Cristo. Porém, precisamos ter cuidado e atenção para não vivermos um Cristianismo Fariseu. Da mesma forma que fomos alcançamos pela graça salvadora precisamos desenvolver essa nova vida na dependência do Senhor. Na obra da Salvação dependemos do Senhor. Na obra da Regeneração, Restauração e Santificação precisamos depender do Senhor. O Apóstolo Paulo em Efésios 4:22-24 e 30 fala da nossa responsabilidade nesse processo ("Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção." Ef.4:22-24 e 30). Depender do Senhor através da ação do Espírito Santo nesse processo de santificação e regeneração é algo crucial para conseguirmos êxito.

3ª Reavaliando e Recomeçando.
Assim como é necessário nascer de novo para a Salvação, em alguns momentos da nossa vida-caminhada precisaremos começar tudo de novo.
Recomeçar sua vida com sua família em outro lugar. Recomeçar uma relação familiar desfeita. Recomeçar uma atividade profissional. Recomeçar um ministério afundado/enterrado. Em qualquer uma dessas situações e em outras devemos ir até o Senhor e ouvir Dele o que é melhor, como agir, o que e quando fazer.

4ª Manter nosso foco – nossos olhos em Cristo.
Paulo em 1Corintios 4:2 diz:"...o que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel." (1Co.4:2). A única forma de não cairmos nas tentações de Satanás, nas ofertas do mundo e na maldade e carnalidade de nossos corações e mantendo nosso foco em Cristo. Manter nossos olhos em Jesus Cristo. Não é uma prática religiosa que pode nos salvar desse mundo, das tentações diabólicas, e da nossa iniqüidade. Mas, é nossa dependência a Jesus e o sujeitar das nossas vidas a ação do Espírito Santo que pode nos levar para a vida eterna.

Para terminar quero contar uma história real:
Já havia se passado das 3 horas da tarde! E três homens estavam mortos. Condenados à morte, perderam a vida. Dois eram ladrões e o último um carpinteiro de Nazaré, o Messias esperado - Cristo Jesus, foi perseguido, preso e condenado por pregar o amor e a chegada do reino de Deus. Um Reino que não é físico e humano.
Depois de tudo isso, um discípulo de Jesus, José de Arimateia, pediu a autoridade responsável (Pilatos) que liberasse o corpo de Jesus. Pilatos dá a permissão.
E antes do anoitecer dois homens vão até aquele lugar, o monte caveira ou Gólgota (Calvário). José de Arimateia estava acompanhado de Nicodemos. Ele mesmo, Nicodemos que tinha ido conversar com Jesus de noite, aparece agora, em plena luz do dia, carregando uma mistura de mirra e aloés, que pesava cerca de trinta e cindo quilos. Eles pegaram o corpo de Jesus e, de acordo com a tradição judaica de sepultamento, envolveram-no em linho com as especiarias. Havia um Jardim perto do lugar onde ele havia sido crucificado, e no jardim, um sepulcro novo, no qual ninguém havia sido ainda sepultado. Então, o colocaram no sepulcro novo. Depois de três dias esse sepulcro ficaria vazio, pois a morte não poderia segurar Cristo Jesus. E hoje Ele está vivo.
Nicodemos não era mais um Fariseu renomado e importante. Ele havia nascido de novo. Nascido da água e do Espírito, Nascido do Alto. Era um Filho e um Discípulo do Rei dos Reis. Era um representante do Reino de Deus! (João 19:38-41)